"E a minha procura ficará sendo minha palavra."
(Carlos Drummond de Andrade)

terça-feira, 1 de outubro de 2013

TURMA 14 - QUINTA 16 HORAS

GRUPO PESCADOR DE ILUSÕES
(7, 8° e 9° ano)




APÓLOGO
PRESENTE DE BODAS
Ana Beatriz Luna

Era uma vez uma aliança. A aliança era muito simples, com seu ouro fosco e sem nenhum detalhe ou brilhante. E por ser simples demais e estar sendo vendida em uma joalheria muito chique, ficava em um cantinho da loja bem discreto e longe das outras alianças que eram mais sofisticadas e caras.

Todos os dias, entravam na joalheria diversos casais a procura de uma aliança. Ela, vendo o movimento de entrada e saída das pessoas, sentia uma pontinha de esperança. Mas, todas as vezes que a atendente a mostrava para os clientes, percebia uma expressão de desgosto e um olhar de desinteresse nos clientes.

Com o passar do tempo, a humildade e simples aliança foi perdendo a esperança de um dia, sair dali. Até que entrou na loja um casal pobre de senhores, com mais ou menos oitenta anos, a procura de uma aliança.

O senhor havia juntado o seu suado dinheiro durante a maior parte de sua vida para dar uma linda aliança de presente de bodas de ouro a sua esposa. O casal nunca havia tido uma aliança, o que fez com que a senhora se sentisse como uma princesa, diante daquela oportunidade.

Os atendentes ofereceram todos os tipos de alianças, mas dinheiro que tinham não era suficiente para comprá-las.

O velho casal já estava se dirigindo a porta quando os vendedores se lembraram da pequena aliança que ficava em um dos cantos da loja. Eles olharam para a aliança e se comoveram. Iriam realizar seu sonho de uma vida inteira. Então, ela foi vendida.

A compra da aliança fez com que os senhores saíssem da joalheria bem alegres. Poucos segundos depois, a aliança já estava no dedo da esposa.

A aliança também se emocionou ao ser usada e saiu da loja toda contente porque agora poderia sair com a sua dona e desfrutar do mundo real e ainda seria um símbolo de amor e união, fazendo um casal sentir-se muito feliz!




APÓLOGO
UM PARAFUSO A MENOS
Arthur Ozório

Era uma vez um parafuso chamado Apalaricio. Ele vivia dentro da caixa de ferramentas de um carpinteiro, até que um belo dia ele falou para o seu amigo Marcelo, o martelo:

- Cara eu cansei, quero sair daqui.

- Por quê? - perguntou Marcelo - Você não gosta de viver aqui?

- Não é isso. - respondeu Apalaricio – Eu quero sair daqui para fazer alguma coisa, deixar minha marca no mundo.

Bem se é assim acho que posso ajudar. - disse Marcelo - O carpinteiro vai consertar uma mesa amanhã, é só você ficar no topo da pilha de parafusos e ele irá pegar você.

- Obrigado, meu amigo! – disse Apalaricio – Eu te devo uma.

Na manhã seguinte, quando o carpinteiro foi consertar a mesa, Apalaricio já estava posicionado no lugar certo para ser o escolhido, mas quando o carpinteiro o pegou ele entrou em pânico:

- Me solta! Eu desisto! Quero voltar! - gritava Apalaricio.

Até que Marcelo falou de lá da outra mão do carpinteiro:

- Calma meu amigo, tudo vai ficar bem.

- Tem certeza? - perguntou Apalaricio.

- Claro! - respondeu Marcelo.

Apesar das palavras encorajadoras de Marcelo, Apalaricio continuava nervoso. E assim que Marcelo deu a primeira martelada ele falou:

- Ai! Porque você fez isso?

- Me desculpe! – disse Marcelo - Mas eu preciso fazer isso para fixar você à mesa.

- Você não pode fazer isso um pouco mais de delicadeza? - perguntou Apalaricio.

- Não se preocupe. - disse Marcelo - Pense que depois disso seu sonho será realizado.

Apesar da dor, no final, Apalaricio conseguiu. Ele foi colocando no pé da mesa, onde teria a função importante de sustentá-la. Então ele disse:

- Obrigado, meu amigo, finalmente farei algo importante.

- De nada! - disse Marcelo - Afinal, os amigos são para essas coisas.




APÓLOGO
A MELODIA DA MÚSICA DO AMOR
Carolina Alonso

Um dia um violão resolveu ser verdadeiro e mostrar o que realmente sentia por sua amada. Ele era romântico, amigável, vaidoso, poético, sonhador, criativo, pensativo, mas também um pouco tímido.

Ele era apaixonado pela palheta, sua melhor amiga, mas não sabia como fazê-la perceber os seus sentimentos.

Para demonstrar o seu amor, era preciso que alguém o ajudasse. Então o violão resolveu convidar o diapasão para afinar a vibração do seu som, com o objetivo de fazer com que o clima ficasse mais romântico.

No dia combinado, os violão e diapasão se uniram e cantaram uma linda música para a palheta. Ela muito emocionada percebeu que junto ao violão formaria um belo casal pelo resto de suas vidas.

A palheta caminhou até o violão e disse que adorou a sua música e que gostaria que ele tocasse para ela mais vezes. O violão feliz com o elogio resolveu ter coragem e disse que tinha feito toda aquela apresentação para ela porque a amava.

É preciso transmitir o que sentimos para as pessoas que realmente nos merecem.




APÓLOGO
O RECOMEÇO
Carolina Lessa

Era uma vez um relógio, mas não um simples relógio. Era uma vez um relógio de ouro, bem grande, brilhante, que realmente chamava atenção. Ele era usado por um homem rico, com cabelos brancos, meio barrigudo que amava o relógio. O homem não podia esbarrar em nada que já ficava preocupado, com seu estimado objeto. Tinha um ciúme enorme de seu relógio.

O relógio adorava o seu dono que com ele sempre saia, levando-o a lugares interessantes. Já tinha ido até a Paris! Ele não saia do pulso do homem. Tinha a vida que qualquer relógio queria ter, mas ele não dava muito valor, achava aquilo tudo normal, era mesmo um pouco metido.

Às 7 horas da manhã, ele despertou seu dono, como de costume. Eles foram para o trabalho e, no fim do dia, foram comer em um restaurante que tinha uma bela vista de Copacabana. No final do dia, ao chegar em casa, o homem tirou o relógio de seu pulso e começou a limpá-lo.

O relógio nem se preocupou, sabia que iria voltar para o pulso de seu dono, logo depois de estar brilhando. Mas dessa vez, o dono guardou-o em uma caixa e o deixou no fundo do armário. O relógio entrou em uma crise de desespero e, com raiva, começou a rever todo seu comportamento, mas ele não havia feito nada de errado, sempre foi pontual, nunca apertou o pulso do homem, sempre o despertou, não tinha porque ele ser, abandonado daquela maneira. Foi horrível!

Depois de ficar preso naquela caixa, o relógio foi perdendo a metidez, perdendo a visão esnobe que ele tinha da vida. O que antes era “normal’’ se tornou um luxo. Assim, com a perda, ele foi dando valor ao que tinha. A saudade de como tudo era antes bateu.

Depois de duas semanas de solidão, mágoas, choros e arrependimentos, a porta do armário se abriu e ele sentiu que alguém havia retirado a caixa do armário, mas ela não foi aberta. A curiosidade e a aflição tomaram conta do relógio e, finalmente, a caixa foi aberta por um menino loiro, de olhos azuis e muito bonito, com mais ou menos 17 anos de idade.

O relógio estranhou, mas, quando o menino o colocou no pulso, ele percebeu que ganhara um novo dono. Sua vida não mudou muito, a partir daí, porque o menino era o filho do seu antigo dono, mas seria um recomeço de vida para o relógio, uma nova chance, outra oportunidade que ele teria. Dessa vez, ele levaria para sempre o aprendizado que havia tido ao descobrir o valor da humildade, da simplicidade e da gratidão. Com uma nova visão de vida, ele estava pronto para recomeçar!




APÓLOGO
CHEFE RODOLFO
Eduarda Resende

Era uma vez um canudo chamado Rodolfo. Rodolfo era o tipo de cara que sempre queria se dar bem em cima dos outros, mas ele se passava por uma pessoa legal, amiga, do bem!

Quando Rodolfo fazia amizades, ele só fazia porque queria tirar alguma vantagem. Ele explorava o outro, fazia do amigo um escravo. O canudo Rodolfo se achava superior!

Uma vez, o copo, a quem Rodolfo manipulava, teve coragem e falou:

-- Você é um falso, um invejoso! O que mais você quer de mim? Fica de nariz empinado achando que é alguém importante na vida.

-- Eu? Eu não faço nada disso. - argumentou o canudo.

-- Ah não? Seu mentiroso! Não vai me enganar mais. Já sei quem é você! – afirmou o copo.

-- Então quem sou eu?

-- Você é um sugador. Você suga tudo o que você quer dos outros e ainda faz chantagens, ameaças. Você força todos a te darem o que você quer. Acha que é um delegado, acha que faz justiça, mas na verdade você é um ladrão, só olha o seu lado e não está nem aí para o resto.

Rodolfo ficou na dele, não falou nada. O copo então continuou:

-- Achou que ninguém nunca fosse ter essa coragem que eu tive de te falar o que eu sei sobre você? Pois é. Sei de suas duas caras. E não tenho mais medo de você!

-- Você não sabe de nada mesmo! Só fala besteira! Não fiz nada disso! Nem sei por que estou ligando pra sua opinião. Afinal, você é só um copo. E de plástico ainda por cima! - gritou o canudo desdenhando.

-- Viu? Acabou de se entregar quando disse: “um copo de plástico ainda por cima”. Viu como você se acha superior? Sendo que você também é de plástico. Ah! E não estou querendo acabar com o seu barato, mas já acabando, eu sou mais importante do que você.

O copo saiu andando. E o canudo Rodolfo foi para casa refletir.

No dia seguinte, se reuniu com todos os que ele explorava e falou:

-- Eu não queria ser assim, mas não consigo me controlar. Peço desculpas! - disse Rodolfo.

-- Você acha que vai ser fácil assim? Acha que só por você falar essas palavras nós já vamos esquecer tudo o que você tem feito conosco? Pois está enganado! Não é só pedir desculpas. Você terá que melhorar suas atitudes, aí talvez nós possamos ser amigos de verdade. – anunciou o copo.

Rodolfo não mudou suas atitudes. Com isso, o copo e todos os que eram manipulados por Rodolfo chegaram à conclusão de que as aparências enganam e de que quem não está agindo certo deve se esforçar, correr atrás, e não achar que basta pedir desculpas. Para resolver o problema é preciso parar de cometer os mesmos erros.




APÓLOGO
O ANEL
Gabriela Pedroso

Anel estava sempre humilhando os outros por ser achar superior, por ser de ouro e os outros de prata e bronze. Adorava se exibir, adorava o fato de ser a joia preferida de Joana e de ir a todos os lugares como ela. Quando as amigas de Joana comentavam sobre ele então, era uma euforia total!

As outras joias não gostavam muito dele, por ele não ter uma personalidade fácil. Era quase sempre muito desagradável! Quando Joana escolhia os brincos que seriam usados para combinar com o anel, esses lamentavam por ter de aturá-lo. Ele era esnobe e pretensioso.

Na sua vida, tudo estava correndo como de costume, até Joana parar em uma loja de joias. O anel no início não ficou preocupado, mas quando se deu conta do que estava acontecendo, entrou em desespero!

Joana estava comprando outro anel! Ele não entendia o porquê, achava que ele era suficiente por si só, achava que seu brilho não precisava de complemento, não aceitava tal absurdo, era como se estivesse sendo desvalorizado pela primeira vez.

Quando viu o novo anel, ficou maravilhado diante de tanta beleza. Ele era tão brilhante que quase o cegou!

Depois de dividir o dedo de Joana com o novo anel, ele, finalmente, percebeu que se superestimava. Aprendendo essa lição, concluiu que deveria agir diferente, mudou suas atitudes para melhor, conquistando a todos que antes o odiavam.




APÓLOGO
UM PROBLEMA QUE NÃO ERA PROBLEMA
Isadora Reis

Era uma vez um porta talher chamado Crodoaldo.

Cro, como preferia ser chamado, vivia refletindo sobre o modo como tratava as pessoas, pois achava que ajudava demais quem estava a sua volta, servindo de suporte para todos os amigos. Ele pensava que se por um lado era útil, por outro, talvez incomodasse as pessoas, por se meter na vida delas oferecendo ajuda o tempo inteiro.

Então Cro, sem querer, reclamou um pouco alto e disse:

-- Eu não aguento mais ficar o tempo inteiro me metendo na vida dos outros, sem saber o que eles acham disso! Eles devem estar doidos para me verem bem longe, para irem para onde não possam me ver nunca mais!

Quando Cro acabou de reclamar, deu de cara com sua amiga Laila, que era uma colher. Ela estava em uma bandeja, pronta para ser lavada, quando a empregada da casa parou para ouvir a patroa. Então Laila, sem querer, ouviu tudo o que Cro dizia e, ao chegar a mesa onde ele estava, comentou:

-- Primeiro, me desculpe por ter ouvido tudo o que você falou, mas é que você falou um pouco alto demais e era impossível não ouvir. - se explicou e continuou. - O que eu quero mesmo é falar que você não incomoda a mim e nem as outras pessoas, muito pelo contrário. Sem você nós nunca teríamos conseguido chegar onde estamos.

Então Cro interferiu:

-- Mas mesmo assim, eu me sinto um intrometido na vida de todos. E não sei mais como resolver esse problema.

E Laila falou:

-- Não tem nada para você resolver, Cro, a única coisa que você faz é nos ajudar. Sem você em nossas vidas, o que seria de nós? Nada.

Então Cro ficou um tempo pensando no que Laila disse e chegou a um solução para o tal problema.

-- A única coisa que devo fazer é seguir a vida e nunca esquecer que a amizade é a base para uma vida melhor e que devo ser sempre solidário com o próximo, independente do que os outros pensem.




APÓLOGO
LUKE, O PEQUENO QUE VIROU GRANDE
João Pedro Amaral

Uma roda de skate chamada Jonny, não tinha muitos amigos, mas tinha seus três irmãos. Os quatro juntos eram responsáveis por fazer deslizar o skate do menino Luke. Jonny não tinha muitos amigos, pois seu dono era um skatista amador e toda vez que eles iam a uma rampa, Luke e seu skate eram muito zoados.

Quando chegavam em casa, Jonny ficava a noite toda olhando Luke chorar em sua cama. Luke pensava em desistir de tudo, mas só não desistia do esporte, porque Jonny o incentiva em todos os momentos de desespero. Ele dizia:

---- Você não pode desistir, pois sei que você tem potencial para se tornar um skatista profissional, só tem um pouco de dificuldade. Precisa treinar mais e mais!!!

Então, no dia seguinte, depois da escola, Luke foi para uma rampa de skate diferente daquela para onde sempre ia.

Logo que chegou, perguntou a um skatista como fazer algumas manobras. O skatista, muito simpático, o ensinou e Luke começou a melhorar. Então Jonny falou:

---- Viu? Eu falei que você ia conseguir.

Luke e Jonny passaram a ir todo dia naquela rampa e o skatista camarada estava sempre lá ensinando manobras para outros skatistas amadores como ele.

Quando Luke já estava bem treinado perguntou ao Jonny se ele concordava em desafiar o skatista que ficava zoando com a cara deles. E Jonny respondeu:

---- Claro! Vamos vencer juntos!

Quando chegou o grande dia, um repórter esportivo viu o duelo e registrou tudo! Claro que quem ganhou foi Luke com a ajuda do Jonny. Então o repórter perguntou ao Luke e ao Jonny se eles queriam participar de um campeonato no sábado seguinte e eles aceitaram.

Quando Luke chegou no tal campeonato, foi entrevistado por vários jornalistas, pois era o competidor mais jovem. Luke e Jonny ganharam aquele campeonato e muitos outros a partir dali.

Depois disso, Jonny e Luke criaram uma Escolinha de Skate para amadores e passaram a ajudar quem precisasse.

Um dia, um fã de Luke perguntou como ele conseguiu crescer tanto no mundo do skate e ele respondeu:

---- Foi com a ajuda de uma pessoa que conheci em uma rampa de skate, mas, principalmente, com o apoio de meu melhor amigo, o Jonny, que nunca me deixou desistir.

Então Luke tirou Jonny e seus irmãos do bolso e disse para o iniciante:

---- Espero que se torne um skatista muito bom e também cresça no esporte, como eu. Boa sorte e nunca desanime!




APÓLOGO
A REVOLUÇÃO DO APARADOR DE LIVROS
Rodrigo Schmidt Pitombo

Era uma vez um aparador de livros feito de madeira que estava cansado de sua função, sempre a amou, mas começou a sonhar em ser um livro. Ele queria transmitir conhecimento e colocar sorrisos nos rostos das pessoas. Com isso começou a pensar em como poderia fazê-lo.

Pensou muito e resolveu falar com os livros, ao qual ele aparava, e pediu a eles que os ajudassem. Eles responderam:

-- Não te ajudaremos! Você foi feito para nos aparar. Não nos deixar cair.

-- Mas ajudo vocês vinte quatro horas por dia, sempre os aparei e vocês não podem me ajudar uma só vez?

-- Não, você nos apara e esse é o seu destino. Não pode mudá-lo.

O aparador não aceitou o que os livros disseram e resolveu seguir em frente com seu plano, sozinho.

A biblioteca estava com um projeto de usar madeiras velhas e quebradas num trabalho de reciclagem, para fazer papéis para livros, já papel vem da madeira. Então o aparador teve uma ideia.

Tinha que fazer uma escolha, um sacrifício, se quebrar. Tomou uma decisão, iria fazer isso. Jogou-se do alto de sua estante. Quebrou-se todo. O atendente, após vê-lo no chão, o pegou e levou-o a sacola do projeto de reciclagem. O aparador iria realizar seu sonho e seu coração já pulava de emoção.

Foi levado para uma fábrica e transformado em um lindo livro. Voltou à biblioteca e viveu feliz pelo resto de sua vida. Ou seja: Sempre siga seus sonhos, por mais que ninguém te apoie e que tenha que fazer sacrifícios. Vai valer a pena no final!




APÓLOGO
O PODER DA PALAVRA “DESCULPA”
Stephanie Castro

Era uma vez um fone de ouvido. Ele ajudava muito as pessoas, era o objeto mais compreensivo do mundo. Todos adoravam desabafar com ele, pois ele era muito esperto, sabia o que falava e sabia ouvir com atenção. Ele gostava de ajudar, mas não só dava conselhos para as pessoas, ele também aprendia com elas.

Ele era muito querido por muitas pessoas, mas outras tinham inveja dele, justamente por seu talento de saber ouvir. O fone de ouvido causava inveja por ser tão compreensivo, solidário e esperto.

As pessoas, que o invejavam, estavam sempre querendo sabotá-lo, sempre armavam alguma confusão para irritá-lo e deixá-lo nervoso, para que ele perdesse a calma que tinha e que era uma de suas grandes qualidades, mas nunca conseguiam.

Houve um dia, entretanto, que as pessoas invejosas conseguiram aborrecê-lo de verdade. Elas fizeram com que ele falasse coisas absurdas para seus amigos, justamente na hora em que o procuravam para desabafar com ele. Seus amigos ficaram surpresos com a atitude do fone de ouvido, sentindo-se magoados com ele.

No dia seguinte, ele percebeu o que fez, reconheceu que suas atitudes com foram horríveis e foi logo se desculpar com todos. Explicou que algumas pessoas o irritaram demais e o deixaram muito nervoso. Seus amigos reconheceram que a atitude do fone de ir pedir desculpas foi nobre e que ninguém é mesmo perfeito.

O fone de ouvido percebeu que errar é humano, mas, acima de tudo entendeu que cada um tem a sua essência e que a dele era dar conselho aos outros e que isso ele não permitiria que fosse mudado, pois tinha orgulho de ser quem ele era.




APÓLOGO
A VOLTA DE BOB
Vinicius Nogueira

Era uma vez um fone de ouvido chamado Bob. Bob era um fone muito bonito, mas um pouco velho. Ele tinha a habilidade de confortar, acolher e reerguer seus ouvintes.

Um dia seu dono apareceu com um novo fone de ouvido, bem mais caro, bonito e potente, que substituiria Bob nas viagens, nas noites e em qualquer momento, em que seu dono normalmente usaria Bob.

Com todo aquele clima de solidão, veio o sentimento de inutilidade, mas o que mantinha Bob confiante e com esperanças de que voltaria a ser utilizado por seu dono, era que mesmo sendo mais barato e feio, ele era confortável e tinha as habilidades de animar e reerguer quem quer que o utilizasse.

Com o passar do tempo, Bob perdia suas esperanças e estava começando a achar que era mesmo inútil e que o novo fone era melhor do que ele.

Quando Bob já estava querendo até se matar, seu dono abriu a gaveta, pegou Bob, o conectou ao seu ipod, deitou em sua cama e ouviu música até dormir.

Bob voltou a ser feliz e a confiar em suas habilidades de fazer relaxar, de confortar e de aliviar tensões.

Bob também percebeu que não deveria ter se importado com o tempo do afastamento, pois mesmo diante dos maiores problemas devemos confiar em nossos talentos, em nossos valores, dando ao outro e ao mundo o melhor de nós.




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