"E a minha procura ficará sendo minha palavra."
(Carlos Drummond de Andrade)

terça-feira, 1 de outubro de 2013

TURMA 20 - SEXTA 18 HORAS

GRUPO UNIDOS POR UM DESTINO
(7°, 8° e 9° ano)




APÓLOGO
Alice Pajek

Era uma vez uma moeda chamada Tintim. Ela amava quando seus donos a usavam, pois com isso ela mudava de lugar. Porém, era muito difícil fazer com que ela fosse usada, por causa de seu pequeno valor.

Tintim ficava revoltada em ficar muito tempo dentro da bolsinha de moedas, sem ser usada. Ela sempre dizia às suas amigas:

-- É muito triste você ter o objetivo de comprar e quase nunca poder realizá-lo.

Na bolsa do atual dono de Tintim existia um cartão de crédito, o Cielo. Sempre que o dono abria a bolsa, Tintim ficava muito animada, achando que iria ser a sua vez de sair, mas o dono sempre usava o Cielo e este saia falando:

-- Não percebe que eu sou mais importante que você! Ele gosta mais de mim do que de você!

Tintim ficava muito magoada quando o Cielo dizia essas coisas, mas suas amigas moedas a aconselhavam dizendo:

-- Não fique assim Tintim. Pense que em um assalto quem vai ser levado será ele, o Cielo, e não você.

Um belo dia, Carlos, o dono de Tintim e do Cielo, estava indo ao mercado, quando foi assaltado. Os assaltantes levaram tudo que estava dentro da bolsa, menos a bolsinha de moedas, porque, ao abri-la, viram que só havia moedas de pequeno valor e não acharam isso importante.

Vendo tudo ser levado, as amigas de Tintim falaram:

-- Nós sobrevivemos, porque somos pequeninas. Cielo, que se gabava tanto, foi levado pelos assaltantes.

Tintim respondeu a suas amigas, dizendo:

-- Apesar de pequenas, devemos ter orgulho de quem somos.

Depois desse episódio, Carlos acabou tendo que usar Tintim e suas amigas para fazer a sua compra no mercado. A pequena moedinha finalmente se sentiu importante e ficou toda alegre por trocar de dono, conhecer novas moedas e saber das histórias tristes e alegres ocorridas com elas.




APÓLOGO

DESCOBRIR BRINCANDO
Antônia Mansur

Era uma vez um carrinho de brinquedo que estava exposto em uma estante de uma casa. Ele se chamava Pedro e já estava bem velhinho. Todos que moravam na casa gostavam dele, mas Lucas, um menino de seis aninhos, era o melhor amigo de Pedro.

Lucas gostava de brincar com seus brinquedos. Ele tinha vários carrinhos, mas o seu preferido e com o qual mais brincava era Pedro, porque esse carrinho fora deixado por seu pai. Lucas levava Pedro a vários lugares como parques, jardins, pistas de corrida e viagens, porque Pedro, o carrinho, era um aventureiro.

Com o passar do tempo, Lucas cresceu e acabou esquecendo o carrinho. Pedro, que era alegre e prestativo, acabou ficando solitário, pois não tinha com quem brincar e como conhecer lugares novos. Ele ficava olhando todos lá de cima da prateleira, querendo andar, correr e ter um amigo. O que lhe alegrava eram as lembranças do que já tinha vivido.

Ele sempre se lembrava de que tinha levado alegria para as pessoas e que já tinha conhecido muitos lugares. Assim, ele continuava na prateleira, esperando o dia em que o amigo lhe trouxesse de volta esses bons momentos.

Um dia, o carrinho estava pensativo, na prateleira, lembrando-se do passado, quando teve uma surpresa. Ele olhou para baixo e viu o seu antigo amigo Lucas com seu filho e logo pensou que voltaria a ser feliz.

Lucas estava brincando com seu filho, quando este olhou para cima e perguntou para o pai:

-- Pai, que carrinho maneiro! De quem é?

-- Ele é o Pedro. Quando eu era da sua idade eu só gostava de brincar com ele e foi assim com o seu avô também. Vamos brincar com ele?

-- Vamos sim, papai!

O pai tirou o carrinho da prateleira e o entregou nas mãos do filho. Pedro ficou muito feliz por ter um novo amiguinho. Eles brincaram muito e o filho de Lucas levava Pedro para todos os lugares, não largava o carrinho. E assim Pedro descobriu que sempre há uma nova chance para ser feliz.




APÓLOGO

O JOGO DA DESCOBERTA
Beatriz Gava Frias

Em um dia ensolarado de sexta, todos na quadra de tênis estavam ansiosos com a competição que iria ocorrer no dia seguinte. Existia uma bola, chamada Bolota, que estava muito ansiosa para ser usada, pois via todas as suas amigas felizes, pulando, e ela ficava lá, parada na estante do vestiário, esperando pelo dia da sua salvação.

Uma amiga de Bolota, Boleta, que estava animada por ver o quanto ela queria ser usada, ficou incentivando-a:

-- Nossa! Amanhã é a sua estreia! Não fica com medo não, vai dar tudo certo!

E Bolota respondia:

-- Eu sou iniciante nisso, eu não sei o que fazer. Vai que eu atrapalho o jogo.

-- Não se preocupe. Vai ser muito bom, o melhor dia da sua vida!

Mas havia alguém para incomodar essa alegria toda: uma raquete arrogante, que chegou toda esnobe, dizendo:

-- Está toda feliz por quê? Acha que vai fazer alguma diferença? Você é só mais uma que vai ficar pulando por aí, igual a uma louca, enquanto eu participarei de todos os jogos e jogadas, comandando você e suas amiguinhas.

Bolota não sabia o que fazer. Ficou toda encolhida, mas depois tomou coragem e falou:

-- Eu já sei disso! Sei que você é importante. Mas eu só queria me libertar dessa prisão. Todos se divertem e eu fico aqui trancada em um pote com outras duas bolinhas.

Contrariada com a atitude da raquete, a amiga de Bolota resolveu consolá-la dizendo:

-- Não liga para ela não! Pelo menos você tem uma amiga, sempre terá companhia. Já ela, está sempre sozinha, coitada!

A raquete, que não queria ficar para trás e adorava implicar, falou:

-- Eu tenho companhia muito melhor que a sua. Giovanna, a jogadora. Se você quer saber, ela nunca briga comigo.

Bolota ficou sem argumentos e decidiu permanecer calada.

O dia do jogo chegou, mas Bolota não estava animada como antes. Quando ela entrou na quadra e viu todas aquelas pessoas, começou a ficar nervosa e insegura. Para piorar as coisas, a raquete disse sarcasticamente:

-- Boa sorte, hein... Vê se não dá de cara com a rede.

O jogo começou e todos estavam ansiosos. Bolota estava feliz e se esforçava para jogar, mas a raquete não lhe dava chance. Porém, no segundo game da partida, algo que ninguém esperava aconteceu. A corda da raquete se desprendeu e ela teve que ser substituída.

Perplexa, a raquete saiu sem saber o que fazer. Enquanto era o melhor dia da Bolota, era o seu pior dia.

Bolota sentiu pena da raquete, pois apesar de ser arrogante, sabia que ela fazia um bom trabalho. Mas com essa experiência, ela também percebeu que era importante para o jogo acontecer. Além disso, descobriu que ninguém é perfeito, como julgava a raquete, que todos têm defeitos e que errar faz parte da vida.




APÓLOGO

UM SONHO PELOS ARES
Daniel Aidé

Era uma vez, em um aeroporto, um avião chamado João. Ele era sonhador e sempre gostou de desafios.

João não era um avião como os outros. Ele não estava exatamente na pista de decolagem. Estava na lojinha do aeroporto e tinha um grande amigo: um guincho. É que na verdade, João e o guincho eram souvenires. Apesar de gostar de certos desafios, João tinha um medo: ir aos céus.

Um dia, o guincho começou a estimular seu amigo a voar. Ele disse:

--Vou te convencer a voar!

-- Você não vai conseguir. - disse João tristemente.

-- O meu medo me bloqueia. E mesmo que tivesse coragem, não sairíamos da loja sem ninguém nos ver.

-- Não se dê por vencido, meu amigo. Fiquei por uma semana analisando a rotina da vendedora e os horários dos voos. - disse o guincho.

-- Amanhã, por volta de uma hora, um avião decolará para Nova York e neste mesmo horário a vendedora fechará a loja por meia hora para almoçar. É a sua chance!

Quando você chegar a Nova York, terá tempo de conhecer a cidade e depois poderá pegar o primeiro voo de volta para cá.

-- Está bem, eu vou, mas com uma condição: você tem que vir comigo. - disse João.

-- Tudo bem! Eu vou! - disse o guincho.

-- Você é o melhor! Já está tarde, vou dormir. Até amanhã! - disse João.

--Até!

No dia seguinte, os dois amigos começaram a aventura. Quando a vendedora saiu para almoçar, eles saíram da lojinha e foram para a pista encontrar o avião. Quando chegaram lá, entraram no avião e curtiram um belo voo até Nova York. Apesar do medo, João estava tão feliz, que nem prestou atenção no tempo.

Logo depois que chegaram a Nova York, João e o guincho visitaram as belezas da cidade. Eles conheceram a Estátua da Liberdade e a Times Square. João estava muito feliz, pois, além de realizar o sonho de voar, teve a chance de conhecer lugares que ele sempre via nos cartões postais da lojinha de souvenires.

Vendo tantos lugares bonitos, João percebeu o quanto o seu medo lhe atrapalhava. Se ele não tivesse tido coragem para voar, nunca teria descoberto tantas maravilhas. Ele também reconheceu a importância de se ter um amigo verdadeiro, sempre disposto a ajudar, como o guincho.

Encantados com a cidade de Nova York, os dois amigos resolveram, então, permanecer por mais algum tempo, para desfrutar melhor da viagem. Dias depois, João, tão alegre com suas novas descobertas, teve uma ideia: ficar na lojinha do aeroporto de Nova York com seu amigo guincho, que assentiu. Os dois, então, fizeram de Nova York seu novo lar e se divertiam cada dia mais, sempre pensando nas novas aventuras que os esperavam.




APÓLOGO

Uma nova vida
Felipe Nunes Couto

Era uma vez um cofre muito inteligente, tão inteligente que, independentemente de seu dono colocar a mão nele, empurrando as moedas para baixo, ele já realizava a ação de guardar o dinheiro. Ele fazia isso só pela fala de seu dono e seu nome era Alfredo. O dono de Alfredo era apaixonado por ele, pois ele era um cofre automático. Assim, quando o dono colocava as moedas por cima dele e emitia o comando de voz, ele, imediatamente, as guardava.

Mas Alfredo cansou de sua vida pacata, não aguentava mais ser somente um cofre com aquele dinheiro gelado lá dentro de si por meses e mais meses. Ele queria virar uma moto, pois a vida de cofre era muito parada e ele gostava de velocidade.

Um dia, o dono de Alfredo o levou para uma corrida da moto GP, pois ele precisava das moedas que Alfredo guardava para pagar a entrada.

Quando entrou na arquibancada com seu dono, Alfredo ficou apaixonado em ver aquelas motos correrem e sua vontade de ser como elas aumentou ainda mais. Ele ficou impressionado com a rapidez e com o brilho de cada uma das peças das motos.

Quando a corrida acabou, o dono de Alfredo foi conhecer os boxes onde ficavam as motos e viu um mecânico que era seu amigo. Os dois, então, começaram a conversar. Enquanto estava nos boxes, Alfredo aproveitou a sua chance e pediu a um dinamômetro e às outras ferramentas que o colocasse em uma moto, ou melhor, que o transformasse em uma de suas peças.

As ferramentas atenderam ao pedido de Alfredo. Como ele era redondinho, elas fizeram dele um cilindro de moto.

Assim, Alfredo realizou o seu sonho de se tornar uma moto, pois ele descobriu que, na verdade, o que fazia esse objeto tão lindo era a união de todas as suas peças, ou seja, ele entendeu que mesmo sendo apenas parte dela, ele era muito importante para fazê-la se mover, então, podia ser considerado moto também.




APÓLOGO

A BELEZA NÃO FAZ AMIGOS
Giovanna Felice

Era uma vez um belo manequim chamado Ciclonésia. Com suas curvas tão bonitas, chamava a atenção de todos que passavam pela loja de costura onde morava. Apesar de toda essa beleza, Ciclonésia era arrogante e prepotente e isso a fazia ficar mais feia a cada dia.

Em um belo dia, Ciclonésia decidiu dar uma volta pelo estúdio de costura. Depois de um tempo, se deparou com a tesoura, a linha e a agulha conversando animadamente sobre algum assunto que não julgava importante. Aproveitando a ocasião, Ciclonésia decidiu se gabar mais uma vez.

-- Acredito que já sabem das novidades, estou certa? Vou ficar exposta na vitrine da loja de costura! – disse o manequim com ar superior.

Mas a linha a interrompeu, abruptamente, dizendo de uma maneira curta e grossa:

-- Honestamente – começou – não nos importamos.

-- Perdão!? - respondeu o manequim, surpreso com tal atitude.

-- Você escutou – reforçou a agulha – não nos importamos.

Acreditando não ter mais escolhas nem argumentos, Ciclonésia se retirou do estúdio, tão arrogante quanto tinha chegado, porém, ainda mais solitária.

A linha, a agulha e a tesoura, por sua vez, comentavam entre si:

-- Dá pra acreditar nela? – começou a tesoura.

-- Sempre tão metida. Desse jeito vai ficar sozinha. Uma pena. – disse a linha.

-- Exatamente. De que adianta ser tão bela? Toda essa beleza não compensa a sua feiura interior. – concluiu a agulha.

Há poucos metros dali, Ciclonésia caminhava mais uma vez solitária de volta para a vitrine. Já estava ficando acostumada a ficar sozinha ultimamente. Suas únicas companheiras eram as memórias de quando ainda conversava com a agulha, a tesoura e a linha, de quando ainda tinha amigos e vivia rodeada de amor.

Muita coisa havia mudado desde que tinha deixado a arrogância e a futilidade assumirem a sua personalidade. Se perguntassem a Ciclonésia qual era seu maior arrependimento – pensava ela – responderia sem hesitar que era de ter se tornado uma pessoa rude, fria, mesquinha e solitária.

No fundo, ela se arrependia mais disso do que de qualquer outra coisa, mas já tinha deixado esse sentimento ir longe demais para poder voltar atrás. Já tinha deixado a arrogância dominar a maior parte de seu coração.

-- Ora, ora! Que ironia! – pensou Ciclonésia amargurada - Quem diria que alguém tão observada, admirada e elogiada nas vitrines como eu, seria alguém tão sozinha. - concluiu infeliz.

E assim continuou Ciclonésia, presa na vitrine, suportando o seu ar superior, mostrando-se linda e radiante, porém “rasgada” por dentro.

Caro leitor, sei que esse fim lhe parece um pouco trágico, mas esse é o destino de quem prefere a arrogância. Quem sabe, porém, se em outra oportunidade, em algum canto escuro da vitrine, um ponto de felicidade irá atingir o coração de Ciclonésia?




APÓLOGO
Joana Demori

Era uma vez, em uma quadra de tênis, uma raquete chamada Silmara e uma bola chamada Bolina. Silmara se achava superior a todos e adorava fazer os outros de escravos, principalmente Bolina. Ela não admitia que Bolina também era importante para a realização das partidas de tênis, assim como ela.

Um dia, antes de um jogo importante, Bolina, sempre gentil, disse à Silmara:

-- Amanhã jogaremos juntas. Vai ser um jogo importante para nós duas.

-- É, tenho certeza de que irei ganhar, pois sou a melhor e a mais importante - disse Silmara.

-- Você não é a única importante no jogo. Eu também sou.

-- Não. Você não faz nada além de ir de um lado para o outro.

Irritada com a atitude grosseira da raquete, Bolina respondeu:

-- Sem mim não haveria jogo. De que serve uma raquete sem a bola?

No dia seguinte, as duas entraram em campo e realizaram a grande partida. Depois do jogo, Silmara insistia dizendo a Bolina que havia feito tudo sozinha. Mas Bolina a contrariou argumentando que ela tinha ajudado se desviando para que a outra raquete não a rebatesse.

Silmara, orgulhosa, retrucou dizendo que tudo o que Bolina dizia era mentira e que tinha feito tudo sozinha, mesmo sabendo que isso não era verdade. Depois dessa discussão, Silmara e Bolina não se falaram mais.

Alguns dias depois, o pessoal da equipe de limpeza da quadra decidiu jogar as bolas velhas fora, inclusive Bolina. Sabendo disso e com a consciência pesada por saber que Bolina havia lhe ajudado no jogo anterior, Silmara resolveu escondê-la para que ela não fosse descartada.

Vendo a atitude da raquete, Bolina ficou muito agradecida e achou que Silmara tinha finalmente virado sua amiga. Mas, no dia seguinte, Bolina se surpreendeu, pois Silmara não falou com ela em nenhum momento e Bolina concluiu, decepcionada, que havia se enganado novamente.

Ela só não sabia que Silmara estava assim, porque estava refletindo sobre todas as suas atitudes e que havia chegado à conclusão de que estava sendo muito má com Bolina, que foi sempre tão boa com ela. Silmara pediu desculpas a Bolina logo no dia seguinte, dizendo como estava arrependida e que queria ser sua nova amiga.

Bolina adorou sua nova amizade e a partir daquele momento entendeu que poderia confiar em Silmara e que isso era muito bom, pois, no final, tudo o que ela pensava estava certo, ou seja, que atrás de todo o orgulho de Silmara, havia uma raquete companheira e generosa e que a amizade das duas renderia muitas e muitas conquistas para ambas.




APÓLOGO

TODOS SÃO IMPORTANTES
Maitê Salim

Era uma vez uma menina chamada Duda que usava uma pulseira super colorida. Ela usava aquela pulseira sempre, para fazer qualquer coisa, pois a pulseira a deixava bonita, fazendo com que ela sempre recebesse elogios. Duda gostava muito de acessórios coloridos no braço. Além disso, a pulseira foi dada a ela pelo seu pai, que a trouxe de uma viagem importante.

Um dia, a menina estava se arrumando para ir à escola e deixou a pulseira na penteadeira de seu quarto por alguns instantes, junto com outros acessórios. Então, para passar o tempo, a pulseira falou para o colar, que ali estava:

-- Você sempre fica aí jogado sem ninguém lhe usar? Eu não! Eu sou o acessório mais querido da Duda, nunca vou enferrujar aí como você, porque sempre serei usada.

Vendo a atitude arrogante da pulseira, o colar respondeu:

-- Pois saiba que algum dia ela vai comprar um acessório novo e você não irá passar de uma pulseira velha.

-- Nunca! Eu sou especial, sou a mais glamurosa das pulseiras. E você o que é? Um simples colar de camelô!

Enquanto a pulseira e o colar brigavam, o pai da Duda chegou no quarto e deixou uma caixinha misteriosa em cima da penteadeira. Era uma surpresa para a filha. A pulseira e o colar ficaram curiosos para saber o que havia lá dentro.

Quando Duda chegou, viu a caixinha e a abriu. Era uma nova pulseira, cheia de glitter colorido. Vendo a surpresa que seu pai havia lhe feito, ela ficou feliz da vida e colocou a nova pulseira no pulso para exibi-la às suas amigas, esquecendo-se da antiga.

Surpreso com a novidade, mas com gostinho de vingança, o colar falou à antiga pulseira:

-- Olhem, vejam só... A pulseira importante, inesquecível foi esquecida.

A pulseira respondeu:

-- Isso foi só um momento, mas vai acabar. Logo, logo Duda vai voltar para me colocar no lugar do qual eu nunca deveria ter saído. Você vai ver!

Mas quando a menina voltou do colégio, não tirou a pulseira nova. E a velha pulseira ficou lá parada, enferrujando ao lado do colar.

Os dias foram se passando e a pulseira antiga foi perdendo suas esperanças de voltar a ser usada. Nunca mais a menina falou dela. Ficando lá, sozinha, ela aprendeu que fazer o que ela fazia não era o correto. Que não devemos acreditar que somos os únicos, pois ninguém é insubstituível.




APÓLOGO

A CONQUISTA DE WOODY
Maria Clara Ramos

Na estante de um quarto colorido, vivia um elefantinho de porcelana chamado Woody. Ele gostava de se arrumar e sonhava em fazer amigos, mas pelo fato de ser muito tímido e demorar a se soltar, os outros objetos acabavam achando que ele era muito sério e arrogante, mas ele não era. Por isso, ele se sentia muito solitário, sem ter alguém para amar, amigos para conversar ou família para consolar.

Em um certo dia, ele conheceu um outro elefante de porcelana chamado Bolinha, que foi morar junto com ele, em seu quarto. Bolinha era extrovertido e logo fez muitos amigos. Ao contrário de Woody, ele sempre ia para festas e conversava com todo mundo.

Como Bolinha era tão extrovertido e percebendo que o seu novo colega de quarto era calado e solitário, ele resolveu conversar com Woody para fazer mais um amigo e também para tentar ajudá-lo a se enturmar com os outros.

Decidido, Bolinha se aproximou e puxou conversa com Woody.

-- E aí cara, por que você está tão quieto? Chega aqui, quero te apresentar o pessoal!
Woody já conhecia todos os outros objetos, pois morava no mesmo quarto que eles há mais tempo que Bolinha, porém, sua timidez o impedia de se aproximar.

Já cansado dessa vida solitária, ele decidiu dar uma chance a si mesmo e aceitar o convite do novo amigo.

-- Oi, sou bastante tímido. Mas eu vou com você. Obrigado por me chamar!

Woody então foi apresentado a vários novos amigos. No início, ele ficou com medo de não agradá-los, mas, depois, começou a conquistar amizades verdadeiras, que iria levar para o resto de sua vida. Os outros objetos perceberam que Woody era um ótimo elefante e que aquela arrogância que aparentava era só uma falsa impressão.

Assim, o pequeno elefantinho de porcelana aprendeu que não se deve ficar com medo de falar com as pessoas e sim procurar conversar com elas, pois a vida é feita de conquistas e para sermos felizes é preciso quebrar os nossos medos.




APÓLOGO

O RELOJÔMETRO
Salim Saud

Na casa de uma senhora, havia um relógio na cozinha. Ele era especial. Nele o ponteiro do minuto, do segundo e o da hora conversavam entre si. Mas sempre que começavam a dialogar, o minuto e o segundo discutiam dentro do relógio, porque um queria ser melhor do que o outro.

O segundo se achava melhor, porque girava mais rápido. Já o minuto se achava mais importante pelo fato de ser rodado pelo trabalho árduo e muito maior do segundo. Mas ao final da discussão, o segundo sempre saia com ar de vencedor, dizendo:

-- Eu sou o ponteiro principal, o imperador. Se não fosse por mim, você não seria quem você é.

Um dia, o minuto, já cansado de ser humilhado pelo segundo, falou:

-- Você se acha importante?

E o segundo disse:

-- Óbvio que sim!

-- Você é orgulhoso. Pois fique sabendo que eu sou mais importante. A dona da casa nem se preocupa com você, ela nem olha pra você e sim para mim. Quando está atrasada, ela conta quantos minutos faltam e não segundos.

O segundo, ouvindo essa humilhação, pela primeira vez se sentiu frágil e fraco, abaixou a cabeça e voltou a trabalhar.

O ponteiro da hora, ouvindo essa discussão, falou ao ponteiro dos segundos:

-- Aprenda! Fique “na sua” e não trabalhe para ninguém. Faça como eu: só gire quando o ponteiro do minuto terminar de girar. Assim ele é que trabalhará para você.

Não suportando a humilhação sofrida, o segundo resolveu parar de girar como fazia e passou a rodar como hora.

O relógio então ficou louco. O tempo se perdia. A dona da casa se atrasava para todos os compromissos. Percebendo o problema, ela acabou jogando o relógio fora, pois ele de mais nada servia. Só então, deixados de lado em uma lixeira, os ponteiros aprenderam que cada um tem sua função, que o pouco faz parte do todo e que todos juntos são mais fortes.



 

 

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