"E a minha procura ficará sendo minha palavra."
(Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

COMPROMISSO CARBONO ZERO


Durante o ano de 2015, nossas turmas trabalharão com temas que, direta ou indiretamente, serão uma continuidade do Projeto AS TRÊS ECOLOGICAS, iniciado em novembro de 2014.



Por estarmos comprometidos com a consciência socioambiental, consideramos fundamental que nossos alunos participem dos debates sobre o tema ECOLOGIA e que se envolvam, concretamente, com as atividades que confirmem uma postura de vida que vise à sustentabilidade do planeta Terra. Para tanto, em 2015, o Curso Palavra Mágica vai calcular a sua emissão de poluentes e assumir a responsabilidade de neutralizar esses efeitos com o plantio de árvores e com estratégias que diminuam os prejuízos causados.

SAIBA MAIS! Confiamos e indicamos:
OSCIP PRIMA - Mata Atlântica e Sustentabilidade



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O menino que carregava água na peneira


O MENINO QUE CARREGAVA ÁGUA NA PENEIRA
Manoel de Barros

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira,

Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!


terça-feira, 30 de setembro de 2014

LEITURA


Para fecharmos o Projeto CONSTRUINDO VALORES, sugerimos uma leitura complementar.


A partir de 9 anos:

EXTRAORDINÁRIO
R.J. Palacio
Editora Intrínseca

August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso, ele nunca havia frequentado uma escola de verdade... até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.

R. J. Palacio criou uma história edificante, repleta de amor e esperança, em que um grupo de pessoas luta para espalhar compaixão, aceitação e gentileza. Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade – um impacto forte, comovente e, sem dúvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo o tipo de leitor.

www.travessa.com.br


Para crianças de até 8 anos:

Coleção MEU AMIGO DOWN
Cláudia Werneck
Editora WVA




Lançada em outubro de 94, esta coleção contém histórias narradas por um menino que não entende bem por que seu amigo com síndrome de Down enfrenta situações tão delicadas. São livros a favor da inclusão.









terça-feira, 5 de agosto de 2014

AULA EXTRA - DISSERTAÇÃO


Aula extra:

A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO ARGUMENTATIVA

Dia 9 de agosto - Sábado

Das 11 às 13 horas
Sala VIP do prédio do Curso Palavra Mágica.

Alunos convidados:

Ensino Médio
8° e 9° ano do Ensino Fundamental

Por favor, confirmem sua presença, ligando para a secretaria do curso.





quarta-feira, 25 de junho de 2014

AULA-PASSEIO MANIA DE EXPLICAÇÃO

PROJETO CONSTRUINDO VALORES

Espetáculo Mania de Explicação
Direção Gabriel Villela 


"Alegria é um bloco de carnaval que não liga se não é fevereiro!"
(Adriana Falcão)

Em sala de aula, lemos MANIA DE EXPLICAÇÃO, de Adriana Falcão, 
cantamos e interpretamos as canções de Raul Seixas 
e, como a personagem Isabel, "pensamos muitos pensamentos". 





Conversamos com os atores e ficamos orgulhosos com os elogios recebidos. 
Surpreendemos a equipe de produção com o nosso conhecimento.

Parabéns, galerinha! O espetáculo foi completo!






Aprender é divertido!
Até a próxima!



quarta-feira, 18 de junho de 2014

Doe livros!


PROJETO CONSTRUINDO VALORES


Até o final de setembro, receberemos doações de livros de literatura infanto-juvenil em bom estado de conservação e/ou novos. Montaremos, com a participação de nossos alunos, uma biblioteca para presentear crianças de um orfanato de Niterói.
Participe! Doe livros!



Os livros já começaram a chegar!




Parabéns, Gabriel Forte e Maria Eduarda Forte!
Muito obrigada!




quarta-feira, 28 de maio de 2014

COPA DO MUNDO
























IMPORTANTE!
Não haverá dias de aulas enforcados. Só fecharemos nos dias dos jogos do Brasil. As datas anteriores ou seguintes aos jogos serão de trabalho normal. O Curso também funcionará no dia 24 de junho. Só temos por hábito fechar nos feriados nacionais.




quinta-feira, 15 de maio de 2014

Ideias e Delícias

Dia 23 de maio
Sexta-feira
Das 17 às 19 horas
Otávio Carneiro, 100 - Sala VIP




Convidamos as mães do curso para uma mesa redonda com mulheres que têm muito a dizer.
Em tempos de relações cada vez mais virtuais, queremos a proximidade do encontro: ouvir as vozes,
olhar nos olhos, dividir sorrisos, questionamentos e emoções.
Queremos partilhar histórias e ideias.


MESA:

Ana Lucia Zullo
Educadora
Tema: A Estratégia e o Operacional no Ato de Ensinar.


Ana Luiza Neves
Psicóloga Clínica e Escolar
Tema: Ser mãe na contemporaneidade: uma transmissão possível.


Cristina Lebre
Jornalista . Escritora . Poeta
Tema: Ser mãe, uma poesia.


Cristina Werner
Terapeuta Familiar - IPHEM
Tema: Casa violenta, aprendizado violado.


Dora Hees de Negreiros
Ambientalista
Tema: Como será o planeta dos nossos netos? Os limites da nossa Terra.


Jeane Monteiro de Carvalho
Psicóloga
Tema: Meditação Zen - Zazen


Simone Mattos
Psicolinguista . Psicopedagoga
Tema: Histórias para contar - Terapia Narrativa


Aguardamos por vocês!

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Mania de Explicação

AULA-PASSEIO
Projeto Construindo Valores

Espetáculo Mania de Explicação
Dia 7 de junho, Sábado.
Das 13 às 19 horas

Saída e retorno: Curso Palavra Mágica
Local: Jardim Botânico – Espaço Tom Jobim
Atividade anterior ao espetáculo: Passeio pelo Jardim Botânico.
Alunos convidados: 2º, 3º, 4º, 5º, 6º e 7º ano do Ensino Fundamental



"Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa. (...) Ela achava o mundo do lado de fora um pouquinho complicado.
Se cada um simplificasse as coisas, o mundo podia ser mais fácil, 
ela pensava. (...) Existem vários jeitos de entender o mundo. 
Ela tentava explicar de um jeito que ele ficasse mais bonito." (Adriana Falcão)





O banho de cor de Gabriel Villela
(Por Rodrigo Monteiro)

“Mania de explicação” é um musical infantil sobre uma menina que gosta de saber o significado das palavras. A partir do livro homônimo de Adriana Falcão, a peça tem dramaturgia assinada também por Luiz Estelitta Lins, direção por Gabriel Villela e direção musical por Ernani Maletta. Além de Luana Piovani no papel de Isabel, a protagonista, no elenco, estão Pablo Ascoli (Vento) e Janaína Azevedo (Árvore) em brilhantes participações. Vale a pena também destacar o colorido intensivo do cenário e do figurino de Villela e, principalmente, a forma como a peça consegue se relacionar bem com as diversas idades. As canções interpretadas ao vivo são de Raul Seixas.

Na versão para teatro de “Mania de explicação”, a história fica em segundo plano. Ou seja, não há fatos, perseguições, cenas de ação que sejam claras ao público infantil. O que poderia ser um convite perigoso à monotonia e ao desinteresse se torna, nas mãos de Villela, um jogo intrigante de cores, de formas e de texturas. O cenário parado do quarto de Isabel é preenchido por inclusões discretas, mas interessantes: portas que se abrem, uma janela por onde entra uma Lagarta (Letícia Medella), uma cama que é também ponte para um mundo de imaginação. Assim, a direção de Gabriel Villela prende a atenção das crianças com um banho de cor que se renova cada vez mais forte.

Quanto aos adultos, a força de “Mania de explicação” está na beleza das vozes e nas interpretações das canções de Raul Seixas. Diogo Almeida (Fonte), Letícia Medella (Lagarta), Felipe Brum (Centauro), mas principalmente Pablo Ascoli e Janaína Azevedo têm solos e participações excelentes, oferecendo bom equilíbrio entre lirismo e técnica, entre harmonia e particularidade. Luana Piovani emprega na interpretação da protagonista seu carisma, que é vasto, conduzindo o público através dos quadros com habilidade e segurança. No todo, o elenco apresenta trabalho positivo na difícil tarefa de lidar, ao mesmo tempo, com público infantil de Adriana Falcão e adulto de Raul Seixas, atendendo diferentemente a cada um deles, mas igualmente bem.

A curiosidade sobre o significado das palavras e a possível desolação frente à preguiça comum das pessoas em pensar fazem de Isabel um personagem único que se ocupa de si na solidão do seu quarto. “Mania de explicação”, cheio de doçura, pode ser um espetáculo sobre descobrir a beleza que é aprender a fazer-se boa companhia e ser “uma metamorfose ambulante”. A peça está em cartaz no Teatro Tom Jobim do Jardim Botânico, na Gávea.

Publicado em Crítica Teatral


SUGERIMOS A COMPRA DO LIVRO!


Mania de Explicação
Adriana Falcão
Salamandra

Adriana Falcão em seu livro Mania de Explicação utiliza a inocência e a imaginação de uma menina muito esperta, que adora inventar e imaginar explicações, para pensar sobre as coisas complicadas do mundo, aquilo que não tem explicação.
O livro é ilustrado por Mariana Massarani onde as figuras não seguem a risca o que é indicado no texto, deixando assim a interpretação seguir o curso da imaginação de cada leitor.  Essa liberdade de pensamento faz com que as explicações da personagem produzam melhor resultado.
Mania de Explicação é um livro de leitura muito agradável, uma espécie de dicionário poético das coisas inexplicáveis. Ele recebeu o Prêmio "O Melhor para a Criança", da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. 




segunda-feira, 28 de abril de 2014

Democracia e Liberdade

Projeto Construindo Valores
Seleção de livros
Primeiro segmento do Ensino Fundamental



O REI DE QUASE TUDO
Eliardo França
Global
24 páginas

Esta narrativa escrita e ilustrada por Eliardo França tem como protagonista um rei. Este quanto mais tinha mais queria. Vivia, por isso, constantemente infeliz e insatisfeito. Na verdade, ele desejava ser o rei de tudo e não de quase tudo. Queria todas as terras.Queria todos os exércitos do mundo. E queria todo ouro que ainda houvesse. Assim, mandou os seus soldados à procura de tudo. E mais terras foram conquistadas. Outros exércitos foram dominados. Nos seus cofres já não cabia tanto ouro. Quis as flores, os frutos e os pássaros. Quis as estrelas e quis o sol. Flores, frutos e pássaros lhe foram trazidos. Estrelas foram aprisionadas e o sol perdeu a liberdade. Uma história bem contada e bem ilustrada sobre o comportamento humano e sua relação com o mundo a sua volta.



ERA UMA VEZ UM TIRANO
Ana Maria Machado
Salamandra
40 páginas


Mais uma vez, a liberdade, cooperação e o amor à natureza vencem a opressão. Nesta história quem manda é a alegria, único poder de fato, e o futuro depende da criança e da união de todos. Ana Maria Machado constrói um livro belo, que já faz parte dos clássicos de nossa literatura infantil.



BENTO QUE BENTO É O FRADE
Ana Maria Machado
Salamandra
48 páginas


Nita é uma menina que gosta de questionar as regras estabelecidas e que, tal qual uma personagem de contos de fadas, resolve sair pelo mundo à cata de aventuras. O que ela descobre em sua jornada é ao mesmo tempo simples e muito complexo: que a discussão é a mãe de todas as idéias novas; que amigos são o bem mais precioso que alguém pode querer.



O REI QUE NÃO SABIA DE NADA
Ruth Rocha
Salamandra
48 páginas

Democracia e liberdade são bens difíceis de conquistar. Mas talvez sejam ainda mais difíceis de manter, pois sempre haverá sapos querendo fingir-se de reis, ou governantes autoritários, que ignoram as verdadeiras necessidades de seu povo.
E isso é assunto para crianças?
A maneira como as histórias desta série tem sido recebida por mais de uma geração é prova que sim.



O REIZINHO MANDÃO
Ruth Rocha
Salamandra
40 páginas

A morte de um rei sábio e justo leva ao trono seu filho mimado e mandão. Além de criar leis absurdas, seu autoritarismo faz o povo literalmente perder a voz. Até que um dia... 



O QUE OS OLHOS NÃO VEEM
Ruth Rocha
Salamandra
40 páginas

Os súditos nunca são vistos pelos gigantes que mandam e desmandam naquele reino. Mas, um dia, os oprimidos se unem e, usando de muita perspicácia, obrigam o rei a enxergá-los e a ajudá-los. Firmando-se no ditado popular "O que os olhos não veem o coração não sente", a história questiona o autoritarismo e mostra o que acontece quando os governantes não trabalham com e para o povo.



UMA HISTÓRIA DE RABOS PRESOS
Ruth Rocha
Salamandra
40 páginas

Falcatruas de todo tipo acontecem na cidade de Egolândia, onde a impunidade é a lei. Um dia, porém, acontece algo curioso: à medida que vão sendo descobertas as fraudes do prefeito e dos vereadores, enormes rabos surgem em seus corpos e começam a enroscar-se uns aos outros. Uma hilariante crítica aos políticos que têm o "rabo preso".



É PROIBIDO MIAR
Pedro Bandeira
Moderna
48 páginas

Bingo é um cachorrinho brincalhão e curioso, que faz amizade com um gato misterioso. Fascinado por esse amigo, Bingo decide imitá-lo e... resolve aprender a miar! Pra quê! “Onde já se viu um cão miar? Que vergonha!”, logo berram os preconceitos, e o mundo passa a perseguir nosso pequeno herói. Narrada com muita tensão e suspense, esta história é um brado de protesto contra a estupidez do preconceito em todas as suas formas. 



A FADA QUE TINHA IDEIAS
Fernanda Lopes de Almeida
Projeto
60 páginas


Clara Luz, a fada diferente que se nega a aprender pelo Livro das Fadas, não gosta de mundo parado e por isso vive tendo ideias mirabolantes: bolinhos de luz, chuva colorida, modelagem de nuvens, entre tantas outras.



HISTÓRIA MEIO AO CONTRÁRIO
Ana Maria Machado
Ática
47 páginas


"... E então eles se casaram, tiveram uma filha linda como um raio de sol e viveram felizes para sempre." É o fim da história? Não, é o começo. Mas não é por isso que a história é meio ao contrário, quer dizer, não é só por isso. 
Entre muitas risadas, você vai descobrir que "ser feliz para sempre" não é tão fácil assim e pode ser até meio chato. E que de nada adianta o poder do rei, a beleza da princesa, a coragem do príncipe... se não puderem fazer sua própria história.


Segundo segmento do Ensino Fundamental



MANO DESCOBRE A LIBERDADE
Heloisa Pietro
Ática
48 páginas


A vida é cheia de mistérios. Mas Mano não poderia imaginar quantos segredos estavam escondidos debaixo de seu próprio teto. Nesta nova aventura, nosso amigo vai descobrir um passado surpreendente, personagens inusitados e, sobretudo, o verdadeiro sentido da palavra liberdade. Uma história que nos revela a importância da justiça, da solidariedade, do respeito ao outro e da união entre as pessoas. Mano descobre a liberdade oferece momentos de lirismo e prazer em uma narrativa gostosa e emocionante.



POR TRÁS DAS CORTINAS
Antônio Schimeneck
Besouro Box
112 páginas


Um grupo de crianças curiosas, um baú, uma mulher misteriosa e um galpão abandonado são os elos deste enredo, que poderá levar o leitor a descobrir não só o segredo desta história, e sim muitas verdades, que, por anos, escondem-se por trás das cortinas, por trás das músicas, por trás do tempo.



1968: ELES SÓ QUERIAM MUDAR O MUNDO
Regina Zappa e Ernesto Soto
Zahar
312 páginas

1968 foi um ano que se destacou entre todos os outros do século passado, porque jovens do mundo todo lideraram protestos e descobriram novas formas de luta. Neste livro, os jornalistas Regina Zappa e Ernesto Soto fazem um passeio pelos principais acontecimentos do período, no Brasil e no mundo. Organizado mês a mês, traz histórias saborosas, letras de músicas, listas de filmes e inúmeras belas fotos, além de entrevistas com Chico Buarque, Edu Lobo, Fernando Gabeira, entre outros.
Este é um verdadeiro almanaque ilustrado da geração que disse não ao conformismo. “Foram muitas as formas de interpretá-lo ao longo do tempo: ano louco, enigmático, revolucionário, utópico, radical, rebelde, mítico, inesperado, surpreendente, profético, das ilusões perdidas. Adjetivos não faltam... De onde surgiram inspiração e fôlego para tanta movimentação reunida num só ano? O fato é que, em um determinado momento, alguém não se conformou e escreveu em letras firmes num muro de Paris: “Seja realista, exija o impossível” trecho da apresentação de 1968, eles só queriam mudar o mundo.


Fonte: Livraria da Travessa

Golpe 1964 - 50 anos


Sugestões de livros
Ensino Médio


BRASIL NUNCA MAIS
Dom Paulo Evaristo Arns
Vozes

Um grupo de especialistas dedicou-se durante 8 anos a reunir cópias de mais de 700 processos políticos que tramitaram pela Justiça Militar, entre abril de 64 e março de 79. O resumo desta pesquisa está neste livro. Um relato doloroso da repressão e tortura que se abateram sobre o Brasil.




1964: HISTÓRIA DO REGIME MILITAR BRASILEIRO
Marcos Napolitano
Contexto


Exatos cinquenta anos atrás, o Brasil mergulhou em uma ditadura que iria perdurar por mais de duas décadas. É chegado o momento de fazer um balanço histórico do regime militar. Marcos Napolitano, conhecido historiador da USP, discute neste livro sólido e bem escrito as principais questões desses “anos de chumbo”.
A ditadura durou muito graças ao apoio da sociedade civil, anestesiada pelo “milagre” econômico? Foi Geisel, com a ajuda de Golbery, o pai da abertura, ou foi a sociedade quem derrubou os militares do poder? Como era o dia a dia das pessoas durante o regime militar? Como a cultura aflorou naquele momento? O que aconteceu com a oposição e como ela se reergueu? Qual a reação da sociedade (e do governo) à tortura e ao “desaparecimento” de presos políticos?


A DITADURA ENVERGONHADA
Elio Gaspari
Intrínseca

Durante os últimos trinta anos, o jornalista Elio Gaspari reuniu documentos até então inéditos e fez uma exaustiva pesquisa sobre o governo militar no Brasil. O resultado desse meticuloso trabalho gerou um conjunto de quatro volumes que compõe a obra mais importante sobre a história recente do país, e que acaba de ganhar uma edição revista e ampliada, enriquecida com novas fotos e projeto gráfico de Victor Burton.
A obra é dividida em dois conjuntos: As ilusões armadas e O sacerdote e o feiticeiro. Publicada originalmente em 2002, As ilusões armadas reúne os livros A ditadura envergonhada e A ditadura escancarada, e recebeu o prêmio de Ensaio, Crítica e História Literária de 2003, concedido pela Academia Brasileira de Letras. Nos primeiros anos após o golpe de 1964, o governo militar ainda relutava em se assumir como uma ditadura, daí o título A ditadura envergonhada. Mas com a edição do AI-5, no final de 1968, que suspendeu direitos constitucionais, ela se revela. Em A ditadura escancarada, são reconstituídos os momentos mais tenebrosos do regime, como a prática da tortura contra os opositores do regime e a violência empregada contra os guerrilheiros do Araguaia, um dos últimos núcleos de resistência política.


A DITADURA ESCANCARADA
Elio Gaspari
Intrínseca

Durante os últimos trinta anos, o jornalista Elio Gaspari reuniu documentos até então inéditos e fez uma exaustiva pesquisa sobre o governo militar no Brasil. O resultado desse meticuloso trabalho gerou um conjunto de quatro volumes que compõe a obra mais importante sobre a história recente do país, e que acaba de ganhar uma edição revista e ampliada, enriquecida com novas fotos e projeto gráfico de Victor Burton.
A obra é dividida em dois conjuntos: As ilusões armadas e O sacerdote e o feiticeiro. Publicada originalmente em 2002, As ilusões armadas reúne os livros A ditadura envergonhada e A ditadura escancarada, e recebeu o prêmio de Ensaio, Crítica e História Literária de 2003, concedido pela Academia Brasileira de Letras. Nos primeiros anos após o golpe de 1964, o governo militar ainda relutava em se assumir como uma ditadura, daí o título A ditadura envergonhada. Mas com a edição do AI-5, no final de 1968, que suspendeu direitos constitucionais, ela se revela. Em A ditadura escancarada, são reconstituídos os momentos mais tenebrosos do regime, como a prática da tortura contra os opositores do regime e a violência empregada contra os guerrilheiros do Araguaia, um dos últimos núcleos de resistência política.



O GRANDE IRMÃO
Carlos Fico
Civilização Brasileira

Esta obra traz à tona a real participação dos Estados Unidos durante a ditadura militar no Brasil. Carlos Fico aponta o general brasileiro que era o contato entre o então futuro presidente Castelo Branco e o governo de Washington para a entrega de armas, munições e combustível durante o golpe de 64. O grande irmão relata episódios sombrios, lances de suborno e traz revelações chocantes como a instalação de equipamento de detecção de explosões nucleares, sem o conhecimento do governo brasileiro, em base militar operada secretamente pelos EUA no Brasil.



1968: ELES SÓ QUERIAM MUDAR O MUNDO
Regina Zappa e Ernesto Soto
Zahar


1968 foi um ano que se destacou entre todos os outros do século passado, porque jovens do mundo todo lideraram protestos e descobriram novas formas de luta. Neste livro, os jornalistas Regina Zappa e Ernesto Soto fazem um passeio pelos principais acontecimentos do período, no Brasil e no mundo. Organizado mês a mês, traz histórias saborosas, letras de músicas, listas de filmes e inúmeras belas fotos, além de entrevistas com Chico Buarque, Edu Lobo, Fernando Gabeira, entre outros. 
Este é um verdadeiro almanaque ilustrado da geração que disse não ao conformismo. “Foram muitas as formas de interpretá-lo ao longo do tempo: ano louco, enigmático, revolucionário, utópico, radical, rebelde, mítico, inesperado, surpreendente, profético, das ilusões perdidas. Adjetivos não faltam... De onde surgiram inspiração e fôlego para tanta movimentação reunida num só ano? O fato é que, em um determinado momento, alguém não se conformou e escreveu em letras firmes num muro de Paris: “Seja realista, exija o impossível” trecho da apresentação de 1968, eles só queriam mudar o mundo.


1964: GOLPE MIDIÁTICO-CIVIL-MILITAR
Juremir Machado da Silva
Sulina

O golpe de 1964 foi midiático-civil-militar. Sem o trabalho da Imprensa não haveria legitimidade para a derrubada do presidente João Goulart. Os grandes jornais de cada capital atuaram como incentivadores e árbitros. Um dos mais ferrenhos estimuladores do golpe foi o jornal carioca Correio da Manhã, que rapidamente perceberia o erro e passaria à oposição.
Em editoriais sucessivos, em 31 de março e 1º de abril de 1964, o Correio da Manhã destilou o seu golpismo visceral. No ataque intitulado "Basta!", decretou: "O Brasil já sofreu demasiado com o governo atual. Agora, basta!".


  
CÃES DE GUARDA
Beatriz Kushnir
Boitempo

"A investigação, cuidadosa e inovadora, reconstrói em grande parte o universo dos próprios censores, por meio de extensas entrevistas tanto com esses, como com vários jornalistas. Traz à tona, portanto, a fala desse grupo conhecido pelo uso do lápis vermelho e da tesoura e sua face pouco vislumbrada." (Michael Hall)
Doutora em História Social, Beatriz Kushnir lançou, nos 40 anos do golpe de 1964, livro nascido de intensa pesquisa sobre um dos aspectos fundamentais do regime militar: sua relação com os órgãos de imprensa, da censura à colaboração. "O objetivo é iluminar um território sombrio e desconfortável: a existência de jornalistas que foram censores federais e que também foram policiais enquanto exerciam a função de jornalistas nas redações", explica Beatriz na introdução do livro. A pesquisadora explora a formação, as bases jurídicas e as diretrizes que orientavam o trabalho da censura, baseando-se em extensa pesquisa documental, além de entrevistas, inclusive com onze censores - aspecto inédito - cujo trabalho era "filtrar", na imprensa e nas artes, o que incomodasse o regime não só no campo político, como também na cultura e até no campo da moral.


GRACIAS A LA VIDA
Cid Benjamin
José Olympio

Gracias a la vida é o relato do ex-militante do MR-8, Cid Benjamin, desde o guerrilheiro ousado — um dos mais importantes operadores do sequestro de Charles Elbrick — ao ativista partidário, jornalista e professor universitário de nossos dias. Sua exposição aos fatos nos garante estar diante de um dos mais consolidados e objetivos relatos sobre esses anos de nossa história. Em sua memórias, Cid apresenta ainda outros episódios importantes da história do PT na década de 1990, como as denúncias ao partido e ao ex-presidente Lula e dos fatos paralelos e comprometedores nos episódios dos assassinatos de dois prefeitos do partido — Toninho, em Campinas, e Celso Daniel, em Santo André.
Cid Benjamin militou na luta armada nos anos 1960 e 1970 dentro do MR-8. Junto com os também jornalistas Franklin Martins e Fernando Gabeira, entre outros, participou do sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, em 1969. Depois de preso, foi exilado e morou na Argélia e na Suécia. Anos mais tarde, recebeu o Prêmio Esso de Jornalismo, com mais quatro colegas, por uma série de reportagens sobre a Guerrilha do Araguaia.


VIOLÊNCIA NA HISTÓRIA: MEMÓRIA, TRAUMA E REPARAÇÃO
Carlos Fico, Monica Grin, Maria Paula Araujo
Ponteio

Nos últimos anos tem se intensificado, em todo o mundo, o debate sobre justiça de transição. Inúmeros países que vivenciaram ditaduras militares, regimes arbitrários e discriminatórios e experiências de guerra civil enfrentam, nos dias de hoje, a questão de como lidar com o legado da violência política. Memória, justiça e reparação são temas fundamentais neste momento, são eles que podem assegurar uma reconciliação política com conteúdo democrático. Este é o tema deste livro, com a colaboração de autores brasileiros e de outros de países como Argentina, Uruguai, Portugal e Israel, aonde a mesma questão foi enfrentada. No Brasil, esse debate ganhou força após a criação da Comissão da Verdade, em 2011.


BATISMO DE SANGUE
Frei Betto
Rocco
  
Em 'Batismo de sangue', Frei Betto compartilha suas descobertas sobre as circunstâncias da morte de Carlos Marighella, líder da Ação Libertadora Nacional (ALN) assassinado em 1969. Fica ainda mais forte a tese de que aquele crime fora planejado de modo a não apenas eliminar o maior inimigo do regime militar, mas também jogar a esquerda contra os frades dominicanos, enfraquecendo a oposição à ditadura. Do dia para a noite, os religiosos passaram de colaboradores da guerrilha a traidores, graças a uma farsa muito bem tecida pelo Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops). Um dos eixos mais fascinantes de 'Batismo de sangue' é a história de como os frades da Ordem dos Dominicanos davam apoio logístico à ALN. Numa época em que marxismo era também sinônimo de ateísmo, a população não poderia sequer sonhar com a hipótese de que os inimigos do regime encontravam apoio naqueles insuspeitos religiosos católicos. Como conciliar fé cristã com ação política revolucionária? Esta é uma das questões que Frei Betto elucida neste livro. Também colabora para a importância de 'Batismo de sangue' a denúncia dos métodos de tortura utilizados pela polícia naquela época.


terça-feira, 22 de abril de 2014

Estamos todos no mesmo barco?

PROJETO MINHA JANGADA VAI SAIR
Produção textual -  7°, 8° e 9° ano - Ensino Fundamental
Dissertações argumentativas


Utilizando como fonte de informação e embasamento teórico a entrevista da antropóloga Julia O'Donnel, concedida ao Jornal O Globo (Leia aqui!), e uma seleção de reportagens exibidas em sala de aula, nossos alunos refletiram sobre a estrutura social brasileira e escreveram dissertações argumentativas respondendo a seguinte questão:


Estamos todos no mesmo barco?


Convidamos os leitores a conhecerem o pensamento de nossos escritores.
Boa leitura!

Grupo MAR DO CONHECIMENTO (Quinta - 16 horas) - Leia aqui!
Grupo GUIA DA INSPIRAÇÃO (Quarta - 16 horas)


Grupo Mar do Conhecimento - Quinta 16 horas


Estamos todos no mesmo barco?
Dissertações argumentativas




A exclusão brasileira
Bruno Tenrreiro Konjedic

Embora alguns locais sejam públicos, existe a segregação social e o impedimento cultural para a democrática convivência e sua ocupação. A população brasileira age como se existisse uma união entre todos, mas não convive em harmonia.
Alguns exemplos desse preconceito praticado entre a população é a não convivência das pessoas de classe A com as das classes C e D. O racismo está ligado ao preconceito de classes. As pessoas mais ricas não aceitam a convivência com as mais pobres, como se observou com o “rolezinho”.
No esporte preferido dos brasileiros, já foi praticado o preconceito racial, como nos casos de torcedores xingando o jogador Arouca e um juiz, que foram chamados de ‘’macacos’’. Os fatos ocuparam os noticiários.
O preconceito da elite com os grupos das classes C, D e E é vivo na divisão dos espaços sociais nada democráticos. Muitas pessoas que eram da classe baixa e foram para a classe média começaram a frequentar os shoppings. Os comerciantes com medo das pessoas, que eram vistas como pertencendo a classes inferiores, fecharam as lojas por medo injustificado.
Para poder impedir a segregação social, deve-se criar campanhas que eduquem a população brasileira, para aproximar os brancos e negros, desde a infância, para não crescerem com preconceitos.


 


Juntos nas barcas? Sim ou Não?
Calvin Macedo

A expressão “espaço público’’, mesmo indicando se referir a um lugar onde todos podem ir, raramente é assim. No Brasil nos tempos atuais embora alguns espaços sejam abertos existe a segregação e o impedimento cultural para a democrática convivência e sua ocupação.
Por causa dessas divisões, pessoas de classes C e D não frequentam as mesmas praias da elite brasileira. Pode se perceber essa divisão ao ver que os ônibus não vão até algumas praias, só deixando pessoas que podem ter um carro chegar lá.
O incômodo das classes economicamente privilegiadas com a presença de pessoas das classes inferiores em diversos locais acaba indicando um exemplo da divisão social. Como os frequentadores habituais dos shoppings estão estranhando a presença de novos consumidores, passaram a impedi-los de entrar nesses locais.
O preconceito de classes tem uma ligação com o racismo que existe no Brasil. Ele pode ser percebido nos esportes pelo preconceito com os jogadores negros.
A diferença das classes sociais acaba transformando locais públicos, onde deveria haver um livre acesso, em um local privado, onde só pessoas de uma classe social podem estar. A solução deste problema é fazer campanhas a respeito da aceitação das diferenças de toda a ordem, aproximando ricos e pobres para um trabalho de valorização da união, da paz e do respeito a todos. O preconceito no Brasil é um problema que precisa acabar para o país continuar evoluindo.

  



Segregação social no Brasil
Vinícius Nogueira

Atualmente, é fácil perceber como a sociedade brasileira é muito preconceituosa e dividida. Embora alguns espaços sejam públicos, existe a segregação social e o impedimento cultural para a democrática convivência e sua ocupação.
A melhor situação para se perceber a segregação social no Brasil, é a observação de que as pessoas de classes C e D frequentam praias diferentes de classes mais altas. Um forte exemplo é a praia de Copacabana, que é dividida em postos de pobres e ricos. Outro exemplo mais forte ainda e a praia de Camboinhas, que só é frequentada por pessoas de classe média, porque só é possível o acesso a ela de carro.
Não se pode achar que a separação de classes em praias é pura coincidência, a verdade é que as pessoas de classe alta sentem-se desconfortáveis na presença das pessoas de classes baixas. Um grande exemplo foi à reação das pessoas da elite com o rolezinho. Elas não estavam preocupadas com o que, ou se, os jovens estavam roubando alguma coisa. Eles estavam realmente incomodados com o fato de pessoas mais pobres estarem se tornando novos consumidores.
No Brasil o preconceito social está relacionado ao preconceito racial, o pobre é diretamente relacionado ao negro e o negro ao pobre, mas esse preconceito não surgiu do nada, ele é fruto de um passado de escravidão em que o negro era explorado pelo branco e visto como um “ser inferior”.
O problema da segregação social não é muito fácil de ser resolvido porque ela está diretamente ligada ao preconceito social, que já é um problema quase que cultural. Para resolver isso é preciso mudar esse pensamento e tentar fazer com que as pessoas, desde pequenas, aprendam a se relacionar com outras de raças e classes sociais diferentes.




Leituras - O Globo

SALA DE AULA - LEITURAS
PROJETO MINHA JANGADA VAI SAIR


É muito comum ouvirmos que a praia é um espaço democrático de convivência, onde a diversidade cultural e social dividem o mesmo espaço em harmonia. “A praia é de todos e para todos”.  Será? 
Não é bem isso que revela o estudo feito pela antropóloga brasileira Julia O'Donnel. 
Para entendermos melhor o ponto de vista da antropóloga e refletirmos sobre a democracia social e racial brasileira,  lemos, em sala de aula, a entrevista que Julia concedeu ao jornal O Globo.

O GLOBO

 "Praia democrática é mito."
Julia O’Donnel

 
A pesquisadora na Praia de Botafogo: “A notícia de que vão revistar ônibus vindos da Zona Norte caberia nos jornais de 1922”
Foto: Camilla Maia / Agência O Globo

RIO — Assim que se mudou para o Rio, em 2004, e começou a frequentar as praias cariocas, a antropóloga paulistana Julia O’Donnel se surpreendeu com uma pergunta que ouvia com frequência:
— Em que posto da praia você vai?
Para ela, a escolha dependia tão somente do fato de haver espaço livre ou das condições do mar em determinado trecho de areia. Começou a se interessar pelo tema, conversar com as pessoas, e tentar entender por que a praia, apesar de ser um trecho restrito, é tão dividida entre si. Levou a curiosidade para o doutorado que faria na UFRJ e a tese virou o livro “A invenção de Copacabana: culturas urbanas e estilos de vida no Rio de Janeiro”, lançado em abril pela editora Zahar.(...)

Como se deu a apropriação das praias pela população?
Na virada do século XIX para o XX, só se ia à praia por razões medicinais, ninguém ia à praia por prazer. Foi na Europa e nos Estados Unidos que começou a se disseminar o hábito de usar a praia como lazer, mas isso não chegava ao Brasil. As revistas elegantes da época, como a “Revista da Semana”, faziam verdadeiras campanhas para convencer a população carioca a usar as praias. No mundo inteiro, diziam que quem era civilizado ia à praia, que era elegante ir à praia. Chamo essa campanha na minha tese de “projeto praiano-civilizatório”, em que a praia deveria ser ocupada, sim, mas dentro de um modelo de “elegância e civilização”, como eles diziam. Essa campanha começa a surtir efeito a partir da década de 1920. As praias começam a encher, e isso acompanha o boom demográfico de Copacabana, a partir da década de 1940, quando o bairro começou a ser associado à nova elite do Rio. Esse primeiro momento de ocupação da praia, portanto, não é democrático. A praia era um espaço exclusivo das elites. Nem ônibus entrava ali ainda.
Quando a praia se tornou mais democrática?
No final da década de 1920, começam a chegar a Copacabana as “taiobas", que eram os bondes de segunda classe que permitiam que os trabalhadores usassem trajes de banho. Mas, dentro da lógica das elites, começou a incomodar. O que estava acontecendo? A elite havia propagandeado um estilo de vida praiano, que não era só usar a praia, claro, mas era também ter um corpo moldado, bronzeado, elegante. A Coco Chanel apareceu nas revistas bronzeada e isso virou moda. E agora todos tinham de lidar com as praias lotadas de trabalhadores. De tanto alardear a campanha, o desejo de ter acesso ao mundo elegante à beira-mar passa também a ser a vontade de diferentes camadas sociais. E aí, no início da década de 1930, começam a aparecer textos muitíssimo inflamados nos jornais reclamando dessa suposta “invasão”.
É no início da década de 1930 que a elite começa a recobrar a tal “exclusividade”?
Sim. Começam a se referir às pessoas até como “animais”. (Lê um trecho do jornal “Beira-Mar”, de 1929, que usa em sua pesquisa: “esse referver de criaturas, bem ou mal vestidas, limpas ou sujas, de todas as cores ou nacionalidades afeia os balneários, que se assemelham a praias habitadas de focas, não a praias vaidosamente chamadas de elegantes”, ou: “Não somos dos que entendem fazer de Copacabana um lugar exclusivo dos ricos e dos estetas, o que defendemos é a ordem e a beleza social das nossas praias. Sejamos progressistas, mas separando o joio do trigo”). É a ideia de que a democracia não é compatível com a elegância.
A praia é um território democrático?
O acesso à praia é democrático, mas a gestão do espaço não é. Essa tentativa recorrente de controlar o que pode e o que não pode, desde o primeiro “choque de ordem”, em 1917, e que regulava o tamanho dos maiôs ou o horário permitido para tomar banho, é uma tentativa de moralização da praia usando a polícia como agente. É interessante: ao mesmo tempo em que a praia é vendida como um espaço democrático, há uma gestão moral sobre esta aparente democracia, que marca nossa estrutura social, que é profundamente estratificada.
O conceito de praia democrática, então, é um mito?
Sim. É um mito. Um exemplo é a chegada do metrô ao Arpoador, que provocou aquela chiadeira da população, dizendo que ia virar “lugar de favelado”. E isso gerou, de fato, um deslocamento: há uma população segmentada na praia que é majoritariamente negra. O que no nosso país quer dizer majoritariamente pobre, por nossas peculiaridades históricas. Não existe a mistura. Se um grupo de meninos negros chega ao Posto 10 e começa a fazer uma festa, no dia seguinte as pessoas vão se mudar para o Posto 11. É fato.
Há alguma mudança no discurso do início do século para cá?
Nenhuma. É muito este discurso, ainda, do “nós” e “eles”. Um sintoma desse incômodo foi o surgimento de uma praia “exclusiva” no ano passado. Outro exemplo: moro em São Conrado e me espantei com a mobilização dos moradores do bairro contra um conjunto habitacional que seria construído perto da Rocinha, alegando “que ia desvalorizar o bairro”. Ora, a Rocinha está lá muito antes desses moradores de São Conrado, e o discurso é o mesmo que encontro nos jornais do início do século passado, uma fala de faxina, de xenofobia. Parte de um pressuposto que o bairro tem donos e que eles é que decidem o que pode ou não ser construído ali. E ainda há essa ideia de que pobres desvalorizam o bairro. Por isso essa divisão de turmas em postos me chamou a atenção quando cheguei. A praia é um ambiente juridicamente democrático, mas não como prática social. Acho muito perigosa essa mistificação da praia como ambiente de harmonia social.
Há diferença dos primeiros “choques de ordem” para o controle atual?
A presença da polícia nas praias também é uma questão interessante. É uma longa relação da praia carioca com a polícia. A notícia de que vão revistar ônibus vindos da Zona Norte, por exemplo, caberia perfeitamente nos jornais que pesquisei em 1922. É a “taioba”. Os suburbanos podem ir à praia? Podem, mas são malvistos, maltratados. Tem esse primeiro “choque de ordem”, de 1917, que era mais de controle dos costumes, mas já gerava prisão. Depois, há algumas tentativas de moralização, com Getúlio Vargas, e a presença ostensiva da polícia na orla a partir dos anos 90, com os arrastões, até o choque de ordem mais recente, regulando as barracas, o queijo coalho, o frescobol.
O que mais chamou sua atenção nessa última onda de assaltos, que provocou imagens assustadoras de revolta dos frequentadores?
É claro que a violência tem de ser reprimida, evidente, não é para haver assaltos na praia, mas não dá para comparar com os arrastões dos anos 90. Me assustou a naturalização do preconceito nas redes sociais, como a fala de que “é um absurdo ter ônibus para o Alemão de 15 em 15 minutos”. Um pânico de perder a exclusividade da praia. E é interessante que isso aconteça justamente num momento em que há todo um discurso de retomada da cidade pelas UPPs. O problema é o uso moral do discurso que se faz em torno desses acontecimentos. Não é “vamos investigar o que provocou o episódio”, mas reprimir impedindo que determinadas pessoas tenham acesso. Esse episódio mobilizou discursos, atitudes e medos que estão na praia todos os dias, só não são ditos.