"E a minha procura ficará sendo minha palavra."
(Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 27 de março de 2014

GRUPO MAR DO CONHECIMENTO (Quinta - 16 horas)



O último beijo ou não
Bruno Tenrreiro Konjedic

No aeroporto internacional de São Paulo, Roberta se preparava para pegar o avião rumo ao Canadá. Marcos estava com ela para dar o seu apoio.
Roberta, desastradamente, deixou o seu celular em casa, sendo assim, os dois só poderiam falar pelo skype, quando ela comprasse um computador.
Marcos era uma pessoa humilde, apaixonada pela Roberta e desejava muito  ficar com ela. Já sentindo saudades, falou:
― Amor, fique comigo e faça essa entrevista aqui no Brasil.
Pensativa, Roberta respondeu:
― Mas, Amor, eu quero que nossa vida melhore e no Canadá eu ganharei bem mais do que ganharia aqui no Brasil.
― Tá bom. Fique sabendo que eu torcerei sempre por você. Faça uma ótima entrevista! Boa sorte!
― Obrigada!
Já um pouco atrasada, Roberta se despediu de Marcos e foi para o seu voo, com o coração apertado de tanta saudade do seu grande amor.
Marcos, voltando para casa, pensou no que fazer para ficar perto de Roberta novamente. Então, começou a estudar para poder largar a profissão de carpinteiro e subir na vida.


O começo de um novo começo
Calvim Macedo

No agitado aeroporto de Galeão, Rafael e sua mãe, Maria, choravam sem parar.
― Mãe, já está quase na hora, por favor, pare de chorar – falou  Rafael a sua mãe.
― Ok, filho, vou tentar segurar minha emoção – disse sua mãe enxugando as lágrimas.
― Sentirei saudades – disse Rafael, também segurando o choro.
― Não se preocupe comigo, meu filho, vá e realize seus sonhos como designer de jogos! – exclamou a mãe.
Os dois se abraçaram.
― Filho, prometa que você vai voltar para me visitar – pediu Maria ao filho, enquanto o abraçava.
― Sim, claro. Você ficará bem mesmo ficando sem ninguém? – perguntou Rafael.
― Claro! – exclamou Maria. - Meu pequeno e inteligente filho vai, finalmente, sair de casa e eu estou orgulhosa– disse Maria.
― Eu acho que está na hora de ir – despediu-se Rafael.
Com um grande sorriso no rosto e grandes desejos no coração, Rafael entrou no avião, sabendo que aquele momento seria um novo começo na vida dele.


Viagem de perigo
João Pedro Amaral

Guilherme, de 22 anos, está partindo para a guerra no Iraque. Lá, ele procurará ser alguém melhor e testar seus conhecimentos técnicos.
― Mãe, pode deixar, quando você menos esperar, eu já estarei voltando – disse Guilherme.
― Filho, sei que é capaz, e sempre estarei do seu lado, mas estou preocupada.
Guilherme conhecia muito bem os perigos da guerra, mas estava determinado a seguir os exemplos do seu avô, que foi morto ajudando os necessitados na África.
― Mãe, vou seguir o exemplo de meu avô, e tentarei fazer com que as pessoas se sintam bem, mesmo em um lugar onde a alegria evita estar – disse Guilherme.
― Guilherme, vá antes que eu me arrependa e mande te buscar dentro do avião – disse Cristina brincando.
― Vou feliz, com minha alma aberta, e não se preocupe que balas de fuzis não me matarão tão facilmente – disse Guilherme, já de costas para sua mãe, carregando uma grande mochila nas costas.
Cristina só observou a partida do filho e começou a rezar por ele.


Cortando os laços de modo temporário
Luiza Lorena Correa

Angel e Adri haviam acabado de entrar no aeroporto Santos Dumont e estavam indo para o portão, quando foram interrompidos por uma jornalista e sua equipe de filmagem, que veio logo perguntando:
― Com licença, estou fazendo uma reportagem sobre tristes despedidas e não pude deixar de notar as lágrimas em seus olhos, meu jovem. Posso lhes fazer algumas perguntas?
― Claro, se não for demorar, meu voo vai sair logo – respondeu Adri, educadamente.
― Vocês dois são parentes ou namorados? – perguntou a jornalista.
― Somos irmãos gêmeos – respondeu Angel, antes que sua irmã pudesse abrir a boca para responder.
Após muitas perguntas que lhes fizeram - eles até perderam a conta! -  Adri ouviu uma voz ao microfone, que todos já estavam cansados de ouvir em aeroportos:
― O embarque para o voo 2320, com destino a África, será encerrado em 5 minutos.
Adri se desesperou e disse bem alto:
― Angel, o voo vai partir sem mim! Eu tenho que embarcar agora!
― Pelo jeito nossa entrevista chegou ao fim – afirmou o jornalista.
Naquele momento, os olhos de Angel se encheram de lágrimas e ele falou com todo carinho para sua irmã:
― Adri, eu sinto como se nossos laços estivessem sendo cortados após 22 anos inseparáveis, mas eu juro que quando você voltar, eu vou te abraçar tão forte que esses nossos laços de carinho se unirão novamente!
― Eu te amo, meu irmão! – disse Adri.
― Eu também te amo, minha irmã! – respondeu Angel.
E assim, com uma despedida tão linda, Adri embarcou no avião, quando faltava apenas um minuto para as portas se fecharem. Ela acenou da janela do avião, até o momento da decolagem.


A esperada separação
Vinícius Nogueira Macedo

Kléberson e Lúcia chegaram ao Fórum sem se falar, somente trocando olhares, que por parte da Lúcia, eram de desprezo, e por parte do Kléberson, eram de arrependimento e piedade.
Os dois se sentaram em seus lugares, acompanhados por seus advogados. Então, o silêncio foi interrompido pelo Juiz.
― Agora, vamos começar a audiência do caso de violência doméstica do réu Kléberson da Silva Pereira contra Lúcia de Oliveira Rodrigues. Vamos começar ouvindo...
A audiência transcorreu normalmente até o momento em que Lúcia teve que falar:
― Eu comecei a me relacionar com o Kléberson há 4 anos. Desde o início, eu sabia que ele era ciumento e um pouco violento, mas ele...- com lágrimas nos olhos, Lúcia continuou  - sempre dizia que ia mudar, e eu acreditava. Até que chegou um momento em que eu não aguentei mais e, com o apoio da minha mãe e da minha patroa, fui até a delegacia e denunciei o Kléberson – Lúcia parou de falar e percebeu as lágrimas nos olhos de Kléberson.
O juiz continuou a audiência. Chegou a hora da defesa do réu Kléberson:
― Eu não nego nenhuma das acusações, quero apenas que Lúcia me perdoe – Kléberson parou de falar e as lágrimas escorrem rapidamente pelo seu rosto.
Depois de ouvir todas as testemunhas, o Juiz deu sua sentença:
― Diante dos fatos aqui apresentados, eu decreto o réu Kléberson da Silva Pereira culpado e sujeito a cumprir a pena de 4 anos de regime fechado e 2 anos de regime semiaberto.
Ao fim da audiência, Kléberson foi algemado e quis falar com Lúcia, mas foi ignorado, tendo que partir, sem se despedir.

terça-feira, 25 de março de 2014

GRUPO GUIA DA INSPIRAÇÃO (Quarta - 16 horas)



A grande e esperada partida
Bruna Giglio

Mariana e Thiago, pai e filha, deram o último abraço no aeroporto do Rio de Janeiro, antes da partida da estudante para o exterior.
― Filha, quero que saiba que mesmo longe de mim, darei a você o máximo de apoio possível – disse Thiago segurando o choro.
― Obrigada, papai. Eu sei e sempre saberei o quanto o senhor se esforça para me manter feliz e...
― Voo número cento e vinte, com destino aos Estados Unidos, favor fazer o embarque imediatamente – interrompeu a chamada para o avião.
― “E” o quê, Mari? – questionou Thiago.
― E... Agora é minha vez de me esforçar pelo senhor! Eu preciso te proteger e honrar nossa família. Esse é o meu dever.
― Mariana, eu ficarei bem – disse o pai calmo, porém começando a chorar – Você é um presente que um cara como eu sempre quis ter. Agora vá lá e mostre para todos o quanto eu devo me orgulhar!
― Te amo, papai! Te ligarei todos os dias, mandarei mensagem, torpedos... – apressou-se a filha.
― Minha queridinha, somente saiba que sempre estarei com você, mesmo muito longe – disse Thiago abraçando fortemente a filha e a vendo seguir seu caminho.


Cena de Despedida
Camila Poubel

Marcelo e Gabriela eram um casal muito apaixonado. Marcelo trabalhava em Rio Bonito, um lugar que ficava longe de onde moravam. Ele ia para o trabalho todo dia com a expectativa de ter um dia produtivo. Gabriela sempre ficava nervosa e preocupada, esperando por ele.
Aquele era um dia especial, o aniversário de casamento deles e nervosismo de Gabriela era maior do que o normal. Os dois estavam na porta de casa se despedindo, quando Marcelo falou:
― Hoje é um dia especial. Sentirei muito a sua falta no trabalho. Para provar o meu amor, lhe comprei essas flores. – Marcelo entregou as flores que tinha comprado no dia anterior.
― Não precisa me provar nada, não duvido de você, mas obrigada pelas flores. Também sentirei muito a sua falta!
― Assim que eu voltar, vamos a um restaurante para comemorarmos esse grande dia! – falou Marcelo, beijando-a.
― Pode ter certeza de que eu te esperarei. Mesmo sabendo que você não ficará fora por muito tempo e nem estará tão longe de nossa casa, já estou com saudades. Vá com cuidado e não corra na estrada – falou Gabriela sorrindo, mas, ao mesmo tempo, preocupada.
― Eu vou sentir sua falta! Te amo muito, mas agora tenho que ir.
― Eu também te amo muito! Vá, mas, como eu disse, tome cuidado – ela disse, já quase chorando.
Marcelo e Gabriela se despediram. Ele foi para o trabalho e ela ficou um pouco angustiada, mas feliz por ter um marido que a ama tanto.

 
Felicidade ou tristeza?!
Carine de Abreu Horta

Certo dia, João, que era jornalista, teve que fazer uma reportagem em alto mar e, por uma semana, ficaria longe de casa, mas não queria deixar sua irmã sozinha. No dia em que ele embarcaria, sua irmã lhe disse:
― Vá com calma, por favor, você sabe que não tenho mais ninguém da nossa família.
Emocionado com o que ela disse, João respondeu:
― Nunca irei te deixar, mesmo se eu estiver lá na China e você aqui no Brasil, vou te ligar todo dia, todo minuto.
Depois de muito conversarem, chegou a hora dele partir e Luiza disse:
― Vá com Deus e não se preocupe comigo, ficarei bem.
― Por favor, se cuida e não faça nenhuma besteira.
E lá se foi ele para alto mar em busca de sua reportagem tão importante, não tão segura. 
Mesmo com a irmã falando para ele não se preocupar, ele viajou apreensivo e com medo do que poderia acontecer com ela. E mesmo com o irmão falando para ela não se preocupar, a irmã ficou com medo de que caísse uma tempestade e de que acontecesse alguma coisa com ele
O amor de irmãos é assim.


O último abraço
Luiza Cavalcante Pinto

Eram sete da noite, quando Fernando e Carla chegaram ao aeroporto internacional do Rio de Janeiro. Eles foram logo para o local do check-in.           
Após despacharem a mala dele, eles se encaminharam a uma área próxima ao embarque, onde poderiam se despedir, já que o companheiro de Carla iria partir para os Estados Unidos e trabalhar lá por um ano. Então Carla falou com uma voz estremecida de saudade:
― Meu amor, sentirei muito a sua falta, mas sei que você irá por um bom motivo.                                   
O marido olhou nos olhos dela e disse:
― Querida, eu irei partir, mas o meu coração sempre estará perto de você.
Carla já estava com saudades, antes mesmo dele partir, e falou:
― Vá, meu bem, chegou a sua hora, estarei aqui esperando por você. Desejo que tenha um trabalho de muito sucesso. Te amo muito!
Aquele foi um momento único, o último beijo, o último abraço do casal, que só iria se rever depois de muito tempo. 
Fernando entrou na área de embarque em busca de um sonho que seria realizado.


Parece uma eternidade
Raquel Marques Sampaio Guimarães

Marcos, muito curioso e querendo saber cada vez mais sobre o que acontece fora do seu “mundinho” humilde do interior, tinha o sonho de ir à cidade e aprender música.
Sua mãe, por outro lado, se preocupava muito com as escolhas do filho, pois sabia que a tranquilidade de sua pequena cidade e as tentações da metrópole, ela não poderia controlar. Tudo seria muito diferente na cidade grande.
O dia tão esperado por Marcos e tão angustiante para sua mãe, enfim chegou. Então a mãe, com voz de choro, disse:
― Vá com Deus, meu filho! Que Ele te proteja e que ilumine seu caminho para que você não caia nas tentações do mundo lá fora.
― Mãe, querida, não se preocupe! Confie em mim – disse Marcos com o coração na mão.
Em seguida, ele deu um abraço carinhoso na mãe, que terminou dizendo:
― Eu confio em você, Marcos. Eu não confio é no que os outros possam te fazer. Te amo muito e quero que você seja muito feliz nesta nova fase da vida.
E Marcos partiu muito emocionado e feliz, pois estava realizando um sonho que nunca iria esquecer. Sua mãe embora pensativa também estava feliz por ele e ansiosa por sua volta.


Estudando inglês no exterior
Rodrigo Navarrete

Meus queridos pais,

Hoje estou indo para Inglaterra. Lá, eu vou fazer um curso de inglês de seis meses. Estou realizando um sonho de infância, esperei por esse momento durante muitos anos. Vou conhecer novos amigos de outros países e viver uma nova experiência.
Mãe, não fique triste, o tempo vai passar rápido, eu voltarei quando o curso acabar. Sei que não vai ser fácil ficar tanto tempo fora de casa, mas essa experiência será muito importante para minha vida. Todos os dias vamos nos comunicar através do skipe. 
Pai, tome conta do meu cachorro e não se esqueça de colocar minha mesada no banco. Eu prometo comprar presentes para a família. 
A cidade na qual vou ficar é fria, tem vários lugares turísticos e muitos museus para visitar. Em Londres as pessoas se deslocam utilizando ônibus de dois andares ou metrô. 
Infelizmente, uma coisa é certa, vou me dar mal com a comida, pois os ingleses comem mal.
Chegou minha hora de partir, vou sentir muitas saudades de todos. 
Eu amo muito vocês, voltarei antes que percebam.

Um beijo, 
Rodrigo


O dever me chama
Vinícius Latgé

Os pais de Fernando o levaram junto de Amanda, sua namorada, para um último adeus na estação das barcas de Niterói. Mal passava das oito horas e Amanda temia estragar uma manhã tão linda com suas lágrimas.
Fernando iria pegar uma barca até o aeroporto, onde embarcaria, ao meio dia, em um voo militar para São Paulo, por ter sido convocado para servir às forças armadas.
Amanda não se conteve:
 ― Mas eu não quero que vá!
― Eu também não quero ir. Infelizmente, não podemos mudar isso – impôs Fernando.
― Tenho medo de que algo aconteça a você. Eu te amo! Por favor, me prometa que irá voltar.
― Prometo – disse Fernando num tom tranquilizador ― E quando eu voltar não ficarei um segundo longe de você!
― Não sei como te dizer adeus.
― Não diga! Eu jamais partirei enquanto você estiver aqui – disse Fernando, colocando sua mão sobre os ombros de Amanda.
Depois disso, Amanda nada disse. Havia amenizado sua dor de pensar que Fernando sofreria, mesmo sabendo que no fundo não existia perigo algum. 
Com uma lágrima de esperança, ele se afastou, desaparecendo na multidão. Não disseram nem um adeus, nem um tchau, pois sabiam que estariam sempre juntos.



          

quinta-feira, 20 de março de 2014

Esculturas gigantes e hiperrealistas de Mueck


DICA CULTURAL
Exposição “Still Life”, do artista Ron Mueck, chega ao MAM - Rio.
20 de março a 01 de junho de 2014

O artista australiano utiliza efeitos especiais incrivelmente realistas para criar seus trabalhos – esculturas que reproduzem os detalhes do corpo humano com tanta precisão que, se não fosse pelo tamanho, poderiam passar por seres reais. MAM.Rio



As esculturas de Ron Mueck estão na América do Sul pela primeira vez. Depois de passarem pela Argentina, as obras chegam ao MAM. O Rio será a única cidade brasileira a receber a exposição.g1.globo.com




quarta-feira, 19 de março de 2014

Um nome para o nosso grupo


Estamos no mesmo barco!

Após o primeiro mês de convívio, as turmas do Palavra Mágica já possuem identidade própria, deixaram de ser turma para se transformarem em grupo.    
Cada um sabe que é parte de um todo e que estamos no mesmo barco. 

(Autorretratos)

É uma tradição do nosso curso nomear os grupos de trabalho. 
Em um processo democrático, cada grupo escolhe um nome que irá representá-lo durante o ano.
 

OS GRUPOS DO PALAVRA MÁGICA - 2014:
Quantas ideias nestas escolhas!

 




sexta-feira, 14 de março de 2014

DIA NACIONAL DA POESIA


Meninos São José
Elisa Lucinda

Toda criança me arrebata,
toda criança, por me olhar,
me arregaça as mangas do amor
e dele, desse amor,
morro de emoção.
Há nisso mais do que o fato
de criança ser igual flor,
mais do que criança ser da vida
a metáfora das coisas
e seu verdadeiro valor.
Vejo José pousando sobre a casa
as asas dele mudam o episódio lar.
Abraço o José em todo riso
e mesmo quando não o tenho no
colo todo o tempo...
evento de criança soprando a casa!
Eu fico com as pernas bambas
quando quem me aponta é uma criança.
José é Júlia, também Carolina,  Pedro, Clara,
Olívia, Antônio, Valentina,  Lina,
João, Luíza, Nicolau,  Juliano,
Guilherme, Diogo, Jonas, Mayara, Vinícius, Leon, Natassia,
José é todas as galáxias de meninos,
porque são só verdades,
belas verdades,
límpidas eternidades,
futuros mundos.
Belas!
Tenho vontade de defendê-las
das injustiças dos ditos maiores,
dos esticados que,
aprisionados,
querem aprisionar.
Por todo o sempre e agora,
toda criança quando chora,
respondo - que foi?
Quem não te tratou direito?
(Toda criança quando chora
acho que me diz respeito.)
Quero as palavras delas,
a nitidez sublime das conversas
delirantes e sábias,
quero os descobrimentos que trazem
em sua transparência natural!
José voa na casa e eu pulso
no ventre como uma grávida perene, meu Deus,
(todo filho do mundo
é um pouco filho meu!)
Como me amolece o coração
barulho som de grito de infância
no colégio de manhã!
Como é, para o meu frio, lã
uma mãozinha pequenina
dizendo pra mim dos caminhos...,
elazinha dentro da minha,
como o dia carregando a noite e seu luar,
e aquela vozinha sem gastar,
me pedindo com carinho e desamparo:
me leva lá?
Não mimem crianças ao invés de amá-las,
para não adoecê-las
para não encouraçá-las!
Não oprimam crianças na minha frente,
vou interferir, vocês vão se danar,
vou escancarar!
Não usem criança na minha presença,
tomarei o partido delas,
não terão minha parcimônia,
não vou compactuar!
Não cunhem nelas a tirania,
eu vou denunciar!
Sou maternal de universo,
mil crianças caminham comigo!
Sou árvore cuja semente
se chama umbigo.
Ai... toda criança
quando grita mamãe,
respondo: que foi?
(Acho que é comigo!)