"E a minha procura ficará sendo minha palavra."
(Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

COMPROMISSO CARBONO ZERO


Durante o ano de 2015, nossas turmas trabalharão com temas que, direta ou indiretamente, serão uma continuidade do Projeto AS TRÊS ECOLOGICAS, iniciado em novembro de 2014.



Por estarmos comprometidos com a consciência socioambiental, consideramos fundamental que nossos alunos participem dos debates sobre o tema ECOLOGIA e que se envolvam, concretamente, com as atividades que confirmem uma postura de vida que vise à sustentabilidade do planeta Terra. Para tanto, em 2015, o Curso Palavra Mágica vai calcular a sua emissão de poluentes e assumir a responsabilidade de neutralizar esses efeitos com o plantio de árvores e com estratégias que diminuam os prejuízos causados.

SAIBA MAIS! Confiamos e indicamos:
OSCIP PRIMA - Mata Atlântica e Sustentabilidade



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O menino que carregava água na peneira


O MENINO QUE CARREGAVA ÁGUA NA PENEIRA
Manoel de Barros

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira,

Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!